quinta-feira, 24 de setembro de 2009

UM CASO CRÔNICO




Eis aí minha crônica da revista Caros Amigos, que já se encontra nas melhores bancas do ramo. No número deste mês: pra que senado?; a Lei Maria da Penha; quem paga imposto?; os EUA na América Latina; a gripe suína no Brasil e uma entrevista com a historiadora Virgínia Fontes.


TRAJETÓRIAS

Você queria transformar o mundo mas se desiludiu com os políticos e resolveu ir pro mato criar galinha. Aí você foi mas as galinhas pegaram uma doença que você nunca ouviu falar porque é da cidade e só conhece gripe, enfarte e colesterol e as bichinhas morreram todas antes de você conseguir vender a sua primeira safra de ovos.

Aí você desistiu de ter uma casa no campo e compor rocks rurais, resolveu realizar os sonhos de juventude e virar surfista. Comprou uma prancha, foi pro Havaí e uma onda de dois metros quebrou sua prancha em três lugares e você em quatro, te deixando horas estendido na areia pra recuperar o fôlego e pegar uma insolação que te levou pra UTI com queimaduras de primeiro grau.

Aí você cansou de cuidar do corpo e resolveu ir pra Índia meditar sobre o futuro da humanidade. Foi e se banhou no Ganges em busca da iluminação mas escureceu, você se perdeu, foi assaltado e levaram tua carteira e teu passaporte.

Aí você decidiu olhar o lado prático da vida. Pegou as últimas economias, aplicou num fundo de commodities com a maior rentabilidade do mercado e o seu fundo tinha financiado o mega-investimento da General Motors que faliu transformando em poeira todos os gigalucros americanos e os seus também.

Aí você foi morar numa favela, num barraco com um colchão e um fogareiro e torrou sua última grana em 50 litros de cachaça que você pretendia beber até morrer. Mas o pastor te mostrou que Jesus podia te salvar, os irmãos quebraram teus 50 litros de cachaça no culto, você doou pra igreja o colchão e o fogareiro, o pastor viu que você era um caso perdido e te expulsou de lá, junto com os teus demônios.

Aí você sai da favela, vai andando pela rua e alguém te entrega um papel onde está escrito: “você queria transformar o mundo mas se desiludiu com os políticos? Madame Marta traz seu senador de volta em três dias”.

Aí...

Um comentário:

  1. Maneiro o catastrofismo insolúvel de sua crônica!

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