sexta-feira, 11 de setembro de 2009

IMPRESSÕES DIGITAIS

JAGUADARTE

Era briluz. As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas
E os momirratos davam grilvos.

“Foge do Jaguadarte, o que não morre!
Garra que agarra! Bocarra que urra!
Foge da Ave Felfel, meu filho, e corre
Do frumioso Babassurra!”

Ele arrancou sua espada vorpal
E foi atrás do inimigo do Homundo
Na árvore Tamtam ele afinal
Parou um dia sonilundo.

E enquanto estava em sussustada sesta
Chegou o Jaguadarte, olho de fogo,
Sorrelfiflando através da floresta,
E borbulia um riso louco!

Um, dois! Um, dois! Sua espada mavorta
Vai-vem, vem-vai, para trás, para diante!
Cabeça fere, corta e, fera morta,
Ei-lo que volta, galunfante.

“Pois então tu mataste o Jaguadarte!
Vem aos meus braços, homenino meu!
Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!”
Ele se ria jubileu.

Era briluz. As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas
E os momirratos davam grilvos.


O poema “Jaguadarte” é de Lewis Carroll e está em seu livro Alice Através do Espelho. A tradução dos versos foi feita por Augusto de Campos e está incluída em “Aventuras de Alice”, lançado pela Summus Editorial. A obra, em tradução do poeta Sebastião Uchoa Leite, que morreu em novembro de 2003, reúne Alice no País das Maravilhas, Alice Através do Espelho e outros textos de Carroll, além de fotos suas.

A partir deste poema épico, satírico, Carroll desenvolve a teoria da palavra-valise, em que dois ou mais vocábulos formam uma nova palavra. Esta é a chave para a leitura do texto (uma delas, pelo menos) e um recurso que seguirá sendo usado pelos poetas.

Não sei se o livro ainda é encontrável nas melhores livrarias do ramo, mas certamente os sebos da cidade ainda guardam edições para quem se interessar. Vale a pena. Esse é mais um grande trabalho de Uchoa Leite. Ele afirma na introdução que escreveu: “Que os dois livros mais celebrados de Carroll, Alice in wonderland e Through the loooking-glass, sejam livros para crianças é verdade muito relativa. Na época, talvez. Hoje, mais de um século depois que foram publicados, são cada vez mais leituras para adultos. Também se foi compreendendo que não são apenas caprichosas fantasias. Pois não há nada por trás dos enredos e personagens desses dois livros que não esteja rigorosamente referenciado, seja através de dados da própria existência de Carroll, seja através de inúmeras alusões literárias, científicas, lógico-matemáticas, etc”

TODO PROSA


PEQUENO INDICIONÁRIO DE NUTILIDADES –
FASCÍCULO 4


Algozar
[Do árabe al-guzz-zir.]
V. t. d.

Chegar ao gozo através de seu algoz, de um carrasco que martiriza, suplicia o ser amado, com gestos e objetos que magoam e afligem e que não cessarão até que a vítima atinja o gozo.
Donatien Alphonse François de Sade, o marquês de Sade, é quem emprega o termo algozar pela primeira vez na literatura ocidental, em seu livro Diálogo entre um Padre e suas Amantes.

Belo-belo
[Do lat. Bellu-bellum.]
S.m.

Pássaro da família dos fingilídeos, encontradiço nas matas de Pernambuco, Bagdá e Cusco. Foi descoberto no início do século XX pelo biólogo recifense Carneiro de Souza Filho, que registrou os hábitos da ave em seu livro A Volta ao Mundo Só num Navio de Vela. Segundo Souza Filho, o belo-belo costuma escolher a solidão dos píncaros para construir seu ninho e só pode ser avistado à luz da primeira estrela brilhando no lusco-fusco. São seus parentes o lero-lero e o fora-zero.

Bocageiro
[Do lat. Bucca + suf. geiro.]
S.m.

Porão existente nas casas das aldeias medievais do norte de Portugal, onde se lia versos e se praticava sexo grupal. Os bocageiros foram destruídos pela Inquisição e seus praticantes queimados em fogueiras, assim como os livros que falavam dos deles e seus autores. O poeta Bocage encontrou algumas citações dos bocageiros em rascunhos de Camões, que leu na Torre do Tombo, em Lisboa, e daí adotou o pseudônimo de Bocage, que usou pela vida toda e acabou registrando como sendo seu real sobrenome.

Cão de Agosto
[Do lat. Cane Augustus.]
S.m.

1.Um dos cães que guarda a entrada do Inferno, o cão de agosto sofreu esse castigo por ser o cão de Judas e ter lealmente permanecido sob a figueira em que seu dono se enforcou.
2. Constelação austral a noroeste do Cruzeiro do Sul, cuja estrela mais brilhante é Cérbero.

Deslogradouro
[Do lat. tard. deslucradior, por via popular.]
S.m.

1. Lugar onde não se goza.
2. Órgão sexual das virgens, das freiras.
3. Espaço público interditado à prática sexual.

Flor-pescada
[do lat. Florepescum.]
S.f.

Ser vivo que habita os igarapés amazônicos, a Flor-Pescada, também conhecida como Pisceflor, é metade animal e metade vegetal. Dependendo do perigo que a ameaça, essa espécie assume a sua forma de planta, flor-pescada, ou de peixe, o pisceflor. Pré-histórica e mitológica, ela costuma se esconder nas Terras do Sem Fim para fugir de seu principal predador, a cobra Norato.

Muiraquitar
[Do tupi imuii-iriaquitã.]
V.t.s. Bras. Amaz.

Ato de batizar pequenas esculturas em forma de sapos e serpentes, feitas em pedra-de-mãe-d’água pelos índios Jiguês, do Baixo Rio Solimões. Dessa forma elas passam a ter poderes mágicos e protegem seus donos dos ataques dos maanapes, demônios que habitam as florestas e as partes mais fundas dos rios.


Zerocórnio
[Do ár. zéfiro + lat.pop. cornu.]
S. m.

1. Espécie de rinoceronte que vive na África Setentrional Sonhada. Não possui chifres nem corpo e a boca que não tem emite sons semelhantes às três últimas vogais de nosso alfabeto. Para que ele se reproduza é preciso que alguém sonhe com a África Setentrional por tempo suficiente para que o zerocórnio percorra as densas florestas da região, encontre uma fêmea no cio e então copule.

2. Substância do chifre desse animal, que seria mágica e teria ressuscitado Lázaro.

- LHUFAS - coisa com coisa nenhuma –


COMUNICADOS


Caros Senhores Condôminos,

Faremos realizar, no dia 27 vindouro deste mês de Setembro, nova assembléia no apartamento de nº 803, visando encetar estudos sobre o orçamento para o conserto da caixa de água. Levaremos a efeito uma primeira chamada exatamente às 20 e 30 horas. E uma outra, às 21 horas em ponto e decorridos, portanto, 30 minutos. Então, e só então, terão início os trabalhos, desde que presentes dois terços dos proprietários, para obtermos o qüórum necessário.

Outrossim,

O Síndico

* * *

A família de Ludimar Brilhaltino cumpre o doloroso dever de comunicar o seu falecimento e convida parentes e amigos para o seu sepultamento, que sairá da Capela Três do Cemitério de Santo Expedito, às 20:30 hs.

* * *

Prezados Funcionários,

Não mais serão tolerados os constantes atrasos. Que vêm se verificando no horário do almoço, para sanar este problema foi instituído o Cartão de Ponto Alimentar. Que deve ser retirado por cada funcionário em sua respectiva, chefia.

Depto. Pessoal

* * *

Torcedor Amigo,

Já se encontram à venda, na remodelada portaria de nosso glorioso clube, os bonitos carnês para a sensacional decisão do renhido campeonato de handball entre nossa briosa equipe e o Campineiro (que só o magnânimo Deus e a descabida conta bancária do salafrário presidente da federação sabem como chegou à emocionante final). O referido e bem-acabado carnê inclui a disputada passagem em confortável ônibus-leito e o cobiçado ingresso no Campineirão. Solicitamos aos nossos esfuziantes associados que levem a contagiante alegria mas deixem em casa os perigosos morteiros.

Torcida Organizada O Terror da Arquibancada

* * *

Os parentes de Ludimar Brilhaltino têm o pesar de comunicar. Que por falta de quórum seu sepultamento foi transferido para o dia 27 vindouro. Aos funcionários e amigos voltamos a avisar. Que se trata de seu FALECIMENTO! O féretro sairá da Capela nº 803 do Cemitério do Campineiro de Futebol e Regatas, no horário do almoço.

* * *

Funcionários,

Seguindo legislação federal somente serão abonados lastimáveis atrasos e imperdoáveis faltas mediante acintosa apresentação de verídico atestado. Reuniões de condomínio e enterros de amigos não constituem motivo de abono. Muito menos excursões para jogos de handball. Isso é um achincalhe!

* * *

Senhores Condôminos,

Deve comparecer às reuniões. Apenas e tão somente UM proprietário por apartamento. Não adianta trazer a mãe, a irmã e os filhos. Cunhado. Muito menos que nem é parente. E é claro que não será permitida a entrada, de animais. A falta de água já poderia ter sido sanada. E nós não vamos remodelar, portaria nenhuma.

* * *

Torcedor,

Não permitiremos a presença de bandeiras vermelhas no ônibus. Todos conhecem as vivas cores de nosso pendão auri-anil: roxo e marrrom. Vermelho é a cor do inimigo Campineiro que, solerte, nos espera nas esquinas daquele fim de mundo que eles chamam de Cidade-Luz. Enquanto isso não se resolver continuarão os constantes atrasos.

* * *

Condôminos,

Ao proibir a entrada de animais na assembléia eu estava com escarradas de razão. Daí a me acusarem pelo sumiço do pastor alemão do apartamento de nº 304 é um candelabro que eu não vou tolerar. O Sr. Ludimar Brilhatino pode chamar a polícia, a Sociedade Protetora dos Animais e o diabo a quatro . E nem me interessa de que federação ele é presidente. Eu tenho a consciência limpa. E por falar em limpeza, seu bando de porcos, sem assembléia neca de água.

* * *

Ô,

Quando organizamos a excursão ficou bem claro que se destinava aos associados. E não me consta que tenhamos um pastor alemão como sócio! Ou o engraçadinho que trouxe essa fera para cá se apresenta ou essa merda desse ônibus não sai. Lembro a todos que nossos bravos rapazes aguardam o incentivo fervoroso dessa ufaneira torcida. Brepa Urra Rei! Nosso grito de guerra que seus tímpanos atentos anseiam ouvir reboar pelo estádio do Campineiro. Vamos lá, pessoal: tirem esse cachorro daqui!

* * *

Atenção empregados,

Não vamos admitir o vandalismo caracterizado pelas lamentáveis ocorrências de ontem à noite. Para o reinício das negociações a Diretoria exige que sejam retirados: 1. Do pátio principal o confortável ônibus-leito ali estacionado. 2. Do corredor AA, o caixão ali pousado por ocasião do enterro simbólico da magnânima e injustiçada pessoa de nosso gerente geral. 3. De toda a empresa, as bandeiras de cores roxa e marrom, com os dizeres ”abaixo o síndico, viva o sindicato!”.

Lembramos ainda que a produção e manutenção de caixas de água em cemitérios é considerada atividade essencial para a economia da nação e, desta forma, é regida por legislação especial que não permite assembléias e muito menos greves.

* * *

A Sociedade Protetora dos Animais de Arquibancada tem o apesar de comunicar o desfalecimento do pastor alemão Condômino, por tantos anos mascote do Campineiro de Futebol e Capela. O féretro sairá do Edifício Cidade-Luz, apartamento 304, assim que a gentalha com bandeiras vermelhas que lá se instalou pare de soltar morteiros.

* * *

Caros Prezados da Associação Atlética Caixa De Água e Achincalhe,

Nossa sensacional greve visa dar início à final do Campeonato de Féretro Brioso. Eu pediria aos gerentes gerais do Campineiro que desocupassem a remodelada Capela. Não é hora para isso, minha gente. Calma! Infelizmente reafirmamos que parentes e amigos não serão admitidos no recinto. É absolutamente necessária a identificação: morteiro na mão direita, carteirinha de síndico com a conta bancária em dia na mão esquerda. Para cunhados basta o atestado. Isso, vamos lá! E atenção: eu pediria a todos que tremulassem seus cartões de ponto alimentar para saudar a estrela dessa noite. Três vivas para Ludimar Brilhaltino. Brepa Urra Rei!

OUTDOR – poemas visuais –





HIGNORÂNCIA

IGNORÂNSSIA

YGNORÂNCIA

IGUINORÂNCIA

IGNORÂMCIA

IGNORÂNÇIA

IGNORÂNCYA

IGNORANCIA

IGNORÂNCIA

PATAVINinha’s


O PLAYGROUND DO PATAVINA’S –
ENQUANTO A MAMÃE FAZ COMPRAS NA INTERNET,
AS CRIANÇAS SE DIVERTEM.


O JACARÉ ANDRÉ

O jacaré André
tem uma barba
bem amarela.
O pai dele
é muito velho
e se chama
Jacareca.

André tem uma toca
na beira do lago
e é o mais corajoso
dos bichos do mato.
Enfrenta até um tufão
dá susto em assombração
se agarra com carrapato.

Só duas coisas
ele teme de fato:
virar bolsa de madame
ou então par de sapato.

[ O poema O Jacaré André foi publicado no livro Manu,Ela (Editorial Nórdica), que, assim como o jacaré, entrou em extinção. ]

terça-feira, 25 de agosto de 2009

CAIU NA REDE É PIXEL






































alfabetos


Esses sistemas simbólicos do mais humano, sua fala.
Linguagens em estado latente.
Contadores de aventuras, registros, instrumentos.
Que outra tecnologia os supera?

Alguns falam por si, com seus caracteres.
Outros nascem nas algaravias das metrópoles
e suas novas necessidades de comunicação,
seja na publicidade, seja nos códigos de trânsito
ou nos sinais das tribos urbanas,
como novas outras pedras de roseta,
com o mistério dos alfabetos desconhecidos,
que nos remetem à condição de analfabetos,
um estado de infância, individual ou coletivo.

Lembram daqueles pequenos quadrinhos de escrita cuneiforme
que encontrávamos nos nossos livros de história
– e o imponderável que guardavam?


CHIPS – o prazer da batata & o poder do circuito –


TERRA DO NUNCA

Como faz todos os dias Wendy anota a senha do banco num pedaço de papel que guarda no sutiã. Depois pega a sacola e antes de sair, para em frente ao banheiro e bate na porta.

- Peter Pan, meu bem.

Como ele não responde, ela bate com mais força.

- Peter! Peeeeter!

- Hã.

- Estou saindo. Vou no mercado e depois no banco. Você quer alguma coisa do mercado?

- Não.

- Mas a sua semente de linhaça está acabando. Você não quer que eu traga?

- Não.

- Mas, Peter, meu bem, o médico recomendou a semente de linhaça pro seu intestino. Eu trago sem problema. Não é pesado. Vou trazer, está bem?

- Tá.

- Ah, vou passar no banco e pegar o extrato da nossa conta. Você viu que deu um real e cinquenta centavos de diferença?

Novamente Peter não responde e Wendy insiste.

- Você viu, Peter?

- Não.

- Mas deu. Você não acha que a gente devia falar com o gerente?

- Tá.

- Tá o que, Peter? Você quer que eu fale ou você mesmo quer falar?

- Tá.

- Tá o quê, homem? Você fala? Que ir comigo? Se você quiser ir comigo eu te espero.
Você quer ir comigo?

Dentro do banheiro, Peter Pan larga o próprio pau, ainda flácido, guarda as fotos de Sininho e desiste de se masturbar pensando na fadinha. Suspende as calças e abre a porta.

- Eu vou com você, meu amor.

OUTDOR – poemas visuais –

amanhojontem

BARATA VOA - vale tudo, menos porrada –

chama o raul chama o ladrão chama que tudo se apaga
eles preferem vender essa metamorfose trambulhante
e raul sobe aos céus da mídia
doze pontos no ibope do fantástico
doze apóstolos de cristo doze meses no ano
o barulho acordou vovó na cadeira de rodas de balanço
ela abriu um olho reconheceu o roqueiro e sorriu meio lábio
chama o raul chama o ladrão chama que tudo se apaga
teu parceiro vende misticismo barato
nas esquinas do primeiro mundo
nós preferimos ser essa mediocridade faturante
nem com raul tocando a gente se toca
vamos vendendo sopa de mosca no hiper-mercado
somos tolos de ouro e al capone foi canonizado
junto com jimi joplin
o filho de proveta de miss janis e mr. hendrix
agora todo mundo é singular não existem mais plurais
maiakovsky mais um drinque
ainda é melhor morrer de vodka do que de tédio
hoje eu lembrei de você
e chamei o Raul e chamei o ladrão e chamei
que tudo se apagou

Alice Barreira


(Alice Barreira nasceu em Barura, no Amapá, em 1968. Trabalha como enfermeira, publicou por conta própria Pequena Enciclopédia de Inutilidades (contos, 1987) e vem colaborando com alguns sites como o coralsemvozes e o vivernavespera. Ainda em 2009 pretende lançar o livro de poemas Coisa Diacho Tralha.)

PATAVINA’S NEWS

De Nova York, nosso correspondente, franco e atirador, Jean Prévert.

Cesar,

Muita gripe suína aí no Rio? Aqui a onda ameaça voltar com as temperaturas caindo. Nada como o mundo contemporâneo, onde podemos partilhar as pragas e assim suplantar a luta de classes.

Fiz meu passeio matinal pelo Central Park e agora estou me instalando num dos bancos da Grand Central, de onde consiga ouvir o barulho dos trens chegando e partindo. Cada vez mais me isolo em pequenas partes de NY. Ou eu estou ficando velho ou esta cidade está ficando com a cara da Disney (ou mais provavelmente as duas coisas). Consegui um banco vazio, sentei-me, abri meu laptop e começo a escrever.

New Orleans - Cresce na cidade um novo comércio. Depois de festinhas de aniversário, funerais requintados e psicólogos de plantão, os cachorros de New Orleans têm agora a seu dispor clínicas de cirurgia plástica. Os desfiles de cães, que também crescem a olhos vistos, agora não são apenas para mostrar roupas e outros acessórios. Mostram-se as novas orelhas, os novos rabos, as bochechas esticadas e piercings aplicados em rostos, patas e até mamilos. Já está prometido para dezembro o Miss DogAmerica, o primeiro concurso de misses caninas para todo o país. E para o ano, a empresa promotora do evento promete o primeiro Miss DogUniverse. Eu, se fosse essa gente, não provocava tanto assim a ira divina. Eles já se esqueceram do Katrina?

Seul - Para que serve a poesia? Tentando dar novas respostas a essa pergunta surgiu na Coréia um autodenominado Grupo de Inter-In-Venção Poética. Eles acreditam que a poesia tem que sair dos livros e se relacionar diretamente com as pessoas. Sua primeira inter-in-venção poética aconteceu semana passada, no feriado nacional da Coréia. Na noite anterior, os poetas foram às três maiores rodovias que saem de Seul e trocaram as placas de trânsito que indicam as direções para as cidades mais próximas. O resultado foi um gigantesco engarrafamento que levou praticamente o dia todo para ser desfeito. Os poetas acreditam que a desorientação é uma vivência poética que eles possibilitaram a milhões de pessoas. Uma inter-in-venção. Pode até ser mas a polícia coreana está atrás deles. Por enquanto o grupo diz que não se intimida e promete novas inter-in-venções.

E segue o e mail, Cesar. Patavine-se!

Abracadabraço do

Jean Prévert