quinta-feira, 24 de setembro de 2009

PATAVINinha’s

O PLAYGROUND DO PATAVINA’S –
ENQUANTO A MAMÃE FAZ COMPRAS NA INTERNET,
AS CRIANÇAS SE DIVERTEM.



UM ELEFANTE ELEGANTE

Elias, o elefante
gosta de andar elegante.
No inverno veste terno.
No verão, um bermudão.

O alfaiate Alfredo
é quem costura sua roupa.
Tem que acordar bem cedo
que a tarefa não é pouca.

Fez um casaco listrado
e um colete estampado.
Duas calças de flanela
e uma cueca amarela.

Com a sobra da fazenda
fez quatro meias de renda
e uma blusa sem gola.
Mas que azar...
Na hora de experimentar
o rabo ficou de fora!

OUTDOR – poemas visuais –


LAMARTINOSWALD

PLEASE MISTER POSTMAN

MEU E MAIL

cesarcar@uninet.com.br


©Cesar Cardoso, 2009. Todos os direitos reservados. Que as pulgas infectadas de 5000 camelos infestem a cama de quem publicar algum texto daqui sem avisar nem dar meu crédito.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

CAIU NA REDE É PIXEL

















AVISO AOS NAUFRAGANTES

Vivemos cercados de outdoors,
anúncios, propagandas.
O que nos dizem, o que lemos,
o que registramos
nessa tempestade de informações?
No meio de tantas mensagens
estamos mais informados?
Ou no reino da publicidade viramos
“chupins desmemoriados”, como disse
o poeta Augusto de Campos, completando:
“só o incomunicável comunica”?

LETRA DANDO SOPA / SOPA DANDO LETRA


LONGA VIDA ÀS ESCRITORAS SUICIDAS

Saiu a nova edição de textos das Escritoras Suicidas, blog de literatura onde escreve Alice Barreira, colaboradora aqui do Patavina’s. Esta edição conta com 36 autoras e traz como temas: “Agora é quase amanhã”, “Brinquedo” e “O Nono mandamento”. Alice Escreveu um conto chamado Brinquedo e que começa assim:

“Um beijo pra Deus e o demônio que vá pro inferno. Agora posso dormir sossegada. É só fechar os olhos com força e não lembrar. O pior é que amanhã de manhã tem culto. Se pelo menos esquecessem de me acordar ou caísse um temporal ou aparecesse um furacão. Mas garanto que logo cedo minha mãe aparece na porta: ‘Tá na hora, vai lavar esse rosto.’ E lá vou eu, manga comprida, um calor de matar, a gola me espetando o pescoço e o coque que a minha mãe cisma em fazer, rodando e rodando meu cabelo. Ela diz que aperta bem pra aparafusar minhas idéias. Me dá é dor de cabeça. Merda de culto, água fria e coque! E mais coisa pra me arrepender.”

Quer conhecer o resto? É só ir lá no blog: http://www.escritorassuicidas.com.br/

CHIPS – o prazer da batata & o poder do circuito –


CORRESPONDÊNCIA

S.

Os exames não indicaram nada mas continuo com as dores por todo o corpo e sem conseguir dormir antes das três da manhã. Acordo às sete, pontualmente, com o vômito. Sim, comprimidos de todo tipo, pra dor, pra enjôo, pra febre, pra tudo. E agora umas injeções que tua mãe receitou.
E nada.

Beijo
T.

S.


Ontem consegui sair de casa. E melhor ainda: fui ao banco e renegociei a dívida do cartão. Acho que começo a me acostumar com a tua falta. Mas quando lembro que você está aí com eles. De qualquer forma segui teu conselho. Toda noite, em vez de novela, vou à ala dos pacientes terminais no hospital aqui em frente. Falei no teu nome e eles aceitaram meu trabalho voluntário. Tenho dormido melhor.

Beijo
T.

S.


Deixei tuas coisas na portaria, pode passar a qualquer hora. Felicidades para teus filhos. Que eles não cruzem muito com gente como nós. Meu sono está voltando. Uma vez por semana escolho um dos pacientes e lhe dou repouso. Às vezes uma injeção (tua mãe me ensinou pensando que era pra mim). Às vezes um aparelho desligado. Ou, nos mais debilitados, um rápido sufocamento com o travesseiro. É, você tinha razão. O sono voltou.

Beijo
T.

“NÚNCARAS” – po+es+ia


CAMÕES REMIX

eu cantarei de amor, valor mais alto
as ledas madrugadas devastando
triste engenho que arde, fogo e arte,
novo reino da morte libertando

em perigos e guerras de meus versos
busque amor, ‘inda além da taprobana
que valor de meus olhos não sei como
docemente partiste, força humana

são armas, são barões, edificaram
pelo todo essa parte que me paga
e a tanto não sei como sublimaram

alma minha gentil, é mesmo amor
que, tão contrária a si, a coisa amada
se alevanta, transforma o amador

BARATA VOA - vale tudo, menos porrada –


O METEORO

Todo filme é de época. Toda época é cega. Depois do Renascimento, da imprensa e das grandes navegações, vivemos o Remorrimento. Temos mil capacidades de nos destruirmos. E ao planeta. Depois dos minutos de fama, agora cada um de nós agora terá direito a 15 segundos de terror, jogando uma bomba no seu lugar ou no seu inimigo preferido.

Mas todos eles estão errados, a lua é que quem, afinal? Talvez dos trans-homo sapiens, que do futuro nos pensam, a nós, que desaparecemos. A espécie Homut substitui a humana. Depois do ie-ie-iê, o gen-gen-gen. E vamos tomando ciência pela manhã, bebendo tecnologia pela noite e vomitando história na madrugada.

Eis aqui esse marzinho feito de uma margem só, outras margens vão surgir mas a nossa é uma só. E naufragamos. Isto é a consequência do que acabo? Talvez, mas não é a morte. Graças aos laboratórios criamos guelras e voltamos ao fundo do mar, como a primeira ameba. Lá estaremos a salvo da do terremoto que engoliu o Japão, do espirro que dissolve o cérebro, da gravidez em orelhas de rato? Encontraremos entre as algas mortas a vacina contra deus?

Num mundo tecnopântano rezamos. Apenas nos últimos quatro meses nasceram 428 messias, passearam pelos céus de cianureto 12 mil legiões de anjos com espadas de fogo, de laser, de fibra ótica, de espuma, de nuvem, holográficas. Oitocentas novas bíblias estão sendo escritas no ciber-espaço. Mil e 200 candidatos a Jesus se inscreveram para as próximas eleições. E tudo com desconto no Amazon.

Mas as tentações não nos deixam cair. Grandes corporações escrevem poesia. As indústrias das armas dançam balé. Os cartéis das drogas tocam sonatas. E os discursos se falam sem precisar mais das bocas, das faringes, das cordas vocais, do ar nos pulmões. O silêncio foi proibido em todo o território internacional e todas as letras S foram transformadas em cãezinhos para crianças pela reengenharia genética. Liberdade, liberdade, abre as patas sobre nós.

Todos os fatos são pardos. Que importância têm as coisas? Chips subcutâneos nos fazem reproduzir, escolhem a programação do compceltv, autorizam as compras, bombardeiam países. O fundamentalismo ao alcance de todos. A catatonia em três lições. Os dez pixels para a felicidade.

Até que o meteoro louco veio do nada e nos desdisse a todos.

Alice Barreira

IMPRESSÕES DIGITAIS

JAGUADARTE

Era briluz. As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas
E os momirratos davam grilvos.

“Foge do Jaguadarte, o que não morre!
Garra que agarra! Bocarra que urra!
Foge da Ave Felfel, meu filho, e corre
Do frumioso Babassurra!”

Ele arrancou sua espada vorpal
E foi atrás do inimigo do Homundo
Na árvore Tamtam ele afinal
Parou um dia sonilundo.

E enquanto estava em sussustada sesta
Chegou o Jaguadarte, olho de fogo,
Sorrelfiflando através da floresta,
E borbulia um riso louco!

Um, dois! Um, dois! Sua espada mavorta
Vai-vem, vem-vai, para trás, para diante!
Cabeça fere, corta e, fera morta,
Ei-lo que volta, galunfante.

“Pois então tu mataste o Jaguadarte!
Vem aos meus braços, homenino meu!
Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!”
Ele se ria jubileu.

Era briluz. As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas
E os momirratos davam grilvos.


O poema “Jaguadarte” é de Lewis Carroll e está em seu livro Alice Através do Espelho. A tradução dos versos foi feita por Augusto de Campos e está incluída em “Aventuras de Alice”, lançado pela Summus Editorial. A obra, em tradução do poeta Sebastião Uchoa Leite, que morreu em novembro de 2003, reúne Alice no País das Maravilhas, Alice Através do Espelho e outros textos de Carroll, além de fotos suas.

A partir deste poema épico, satírico, Carroll desenvolve a teoria da palavra-valise, em que dois ou mais vocábulos formam uma nova palavra. Esta é a chave para a leitura do texto (uma delas, pelo menos) e um recurso que seguirá sendo usado pelos poetas.

Não sei se o livro ainda é encontrável nas melhores livrarias do ramo, mas certamente os sebos da cidade ainda guardam edições para quem se interessar. Vale a pena. Esse é mais um grande trabalho de Uchoa Leite. Ele afirma na introdução que escreveu: “Que os dois livros mais celebrados de Carroll, Alice in wonderland e Through the loooking-glass, sejam livros para crianças é verdade muito relativa. Na época, talvez. Hoje, mais de um século depois que foram publicados, são cada vez mais leituras para adultos. Também se foi compreendendo que não são apenas caprichosas fantasias. Pois não há nada por trás dos enredos e personagens desses dois livros que não esteja rigorosamente referenciado, seja através de dados da própria existência de Carroll, seja através de inúmeras alusões literárias, científicas, lógico-matemáticas, etc”

TODO PROSA


PEQUENO INDICIONÁRIO DE NUTILIDADES –
FASCÍCULO 4


Algozar
[Do árabe al-guzz-zir.]
V. t. d.

Chegar ao gozo através de seu algoz, de um carrasco que martiriza, suplicia o ser amado, com gestos e objetos que magoam e afligem e que não cessarão até que a vítima atinja o gozo.
Donatien Alphonse François de Sade, o marquês de Sade, é quem emprega o termo algozar pela primeira vez na literatura ocidental, em seu livro Diálogo entre um Padre e suas Amantes.

Belo-belo
[Do lat. Bellu-bellum.]
S.m.

Pássaro da família dos fingilídeos, encontradiço nas matas de Pernambuco, Bagdá e Cusco. Foi descoberto no início do século XX pelo biólogo recifense Carneiro de Souza Filho, que registrou os hábitos da ave em seu livro A Volta ao Mundo Só num Navio de Vela. Segundo Souza Filho, o belo-belo costuma escolher a solidão dos píncaros para construir seu ninho e só pode ser avistado à luz da primeira estrela brilhando no lusco-fusco. São seus parentes o lero-lero e o fora-zero.

Bocageiro
[Do lat. Bucca + suf. geiro.]
S.m.

Porão existente nas casas das aldeias medievais do norte de Portugal, onde se lia versos e se praticava sexo grupal. Os bocageiros foram destruídos pela Inquisição e seus praticantes queimados em fogueiras, assim como os livros que falavam dos deles e seus autores. O poeta Bocage encontrou algumas citações dos bocageiros em rascunhos de Camões, que leu na Torre do Tombo, em Lisboa, e daí adotou o pseudônimo de Bocage, que usou pela vida toda e acabou registrando como sendo seu real sobrenome.

Cão de Agosto
[Do lat. Cane Augustus.]
S.m.

1.Um dos cães que guarda a entrada do Inferno, o cão de agosto sofreu esse castigo por ser o cão de Judas e ter lealmente permanecido sob a figueira em que seu dono se enforcou.
2. Constelação austral a noroeste do Cruzeiro do Sul, cuja estrela mais brilhante é Cérbero.

Deslogradouro
[Do lat. tard. deslucradior, por via popular.]
S.m.

1. Lugar onde não se goza.
2. Órgão sexual das virgens, das freiras.
3. Espaço público interditado à prática sexual.

Flor-pescada
[do lat. Florepescum.]
S.f.

Ser vivo que habita os igarapés amazônicos, a Flor-Pescada, também conhecida como Pisceflor, é metade animal e metade vegetal. Dependendo do perigo que a ameaça, essa espécie assume a sua forma de planta, flor-pescada, ou de peixe, o pisceflor. Pré-histórica e mitológica, ela costuma se esconder nas Terras do Sem Fim para fugir de seu principal predador, a cobra Norato.

Muiraquitar
[Do tupi imuii-iriaquitã.]
V.t.s. Bras. Amaz.

Ato de batizar pequenas esculturas em forma de sapos e serpentes, feitas em pedra-de-mãe-d’água pelos índios Jiguês, do Baixo Rio Solimões. Dessa forma elas passam a ter poderes mágicos e protegem seus donos dos ataques dos maanapes, demônios que habitam as florestas e as partes mais fundas dos rios.


Zerocórnio
[Do ár. zéfiro + lat.pop. cornu.]
S. m.

1. Espécie de rinoceronte que vive na África Setentrional Sonhada. Não possui chifres nem corpo e a boca que não tem emite sons semelhantes às três últimas vogais de nosso alfabeto. Para que ele se reproduza é preciso que alguém sonhe com a África Setentrional por tempo suficiente para que o zerocórnio percorra as densas florestas da região, encontre uma fêmea no cio e então copule.

2. Substância do chifre desse animal, que seria mágica e teria ressuscitado Lázaro.