segunda-feira, 12 de outubro de 2009

IMPRESSÕES DIGITAIS


Vamos começar a falar do mundo digital. Afinal, é onde a gente está , não é?


ATENÇÃO!
(AS LEIS DO E-MAIL)

Esta mensagem foi enviada para uso exclusivo do(s) destinatário(s). Sua retenção é terminantemente proibida, assim como sua distribuição, cópia, comentário, memorização ou lembrança em locais públicos ou de âmbito privado ou familiar, tais como estádios de futebol, lanchonetes, óticas e apartamentos de quarto e sala.

Esta mensagem é contra-indicada em pacientes com conhecida hipersensibilidade a qualquer componente da fórmula e seu sigilo é protegido por lei. Caso você a tenha recebido por engano por favor apague-a de seu sistema. Caso você tenha lido, esqueça. Caso você não consiga esquecer, comunique-se com a Secretaria de Estado de Segurança Pública que lhe indicará o hospital conveniado de sua preferência para proceder ao tratamento adequado.

As opiniões contidas nesta mensagem não refletem o seu ponto de vista ou de quaisquer pessoas, incluindo o próprio remetente. Seu taxímetro será acionado somente após a chegada ao local. Ela deve ficar com este lado para cima e ser consumida no prazo máximo de três meses, após o que se autodestruirá. Sua promoção é válida somente para o rodízio.

Ao ler esta mensagem, não ultrapasse a faixa amarela e sorria, você está sendo microfilmado. Lembramos que é proibido conversar com o motorista a respeito desta mensagem e que os jovens, ao completarem 18 anos, devem alistar-se no batalhão mais próximo de seu domicílio de posse dela. Para a sua leitura completa, use o cinto de segurança e não dê comida aos animais. Mantenha essa mensagem afastada de portas pantográficas e de crianças e dirija-se ao guichê ao lado.

Amar é jamais ter que pedir perdão através desta mensagem. Não saia de casa sem ela. Para o escoamento de seus usuários o portão permanecerá aberto até as 18 horas. Desculpe o transtorno, estamos trabalhando para melhor servir esta mensagem a você. Não se esqueça que ela é pagável em qualquer agência bancária. Lembramos ainda que tudo nesta mensagem é força mas só Deus é poder e que a gorjeta não é obrigatória.

AVISO AOS NAUFRAGANTES


ANIVERSÁRIO LITERÁRIO

A EDEM – Escola Dinâmica do Ensino Moderno – está comemorando 40 anos e, nas comemorações, realiza uma festa literária, a Livro Aberto, nos dias 22, 23 e 24 de outubro. Dentre outras atividades, dia 23 tem mesa redonda com Laura Sandroni e roda de leitura com Susana Vargas lendo Machado. Dia 24 tem papo com Marcos Magalhães, diretor do Anima Mundi. E dia 24 tem conversa sobre ilustração com a ilustradora Graça Lima e bate-papo sobre literatura e internet, com os escritores Marcelo Moutinho, Flávio Izhaki, Henrique Rodrigues e este locutor que vos fala, com mediação de Miguel Conde, editor assistente do Prosa e Verso, do Globo.
E EDEM fica na Rua Gago Coutinho, 14, pertinho do largo do Machado. E se você quiser ver a programação completa da Livro Aberto pode ir em
www.edem.g12.br.


CONFRARIA

Depois de quatro anos de existência virtual, com mais de cinco milhões de acessos, a revista literária Confraria se lança em forma de papel nas bancas e livrarias do Brasil e de Portugal. Auto-denominada “revista de pensamento, literatura e arte sem fronteiras”, ela traz um time de primeira. Entrevista com Nei Lopes. Poemas de Arnaldo Antunes. Ensaios do mexicano Octavio Paz e do poeta português E. M. de Melo e Castro. Artigo de Raimundo Carrero. Colunas de Luiz Costa Lima, Carlos Felipe Moisés e Gonçalo M. Tavares. E muito mais. A revista – bimensal – é um lançamento da Confraria do Vento Editora. O endereço on line é
www.revistaconfraria.com. Para colaborações: www.confrariadovento.com/envio.


INVERDADES, DESMENTIRAS, RECASCATAS ETC

Antes de serem condecorados pela Rainha da Inglaterra, os quatro Beatles conversam e fumam um no banheiro do Palácio. Marylin Monroe aos 75 anos pensa na vida, na época em que era atriz e não a presidenta dos Estados Unidos. No balcão de um pub londrino, um bêbado se diverte e puxa assunto com os indianos. É George Bush, que abandonou a política, a família e o AA.
Essas são algumas das histórias que você vai encontrar em Inverdades, livro de contos que André Sant’Anna acaba de lançar pela Editora 7Letras. Além do alto grau de criatividade das idéias do cara, ele também escreve bem pra cacete. Vale a pena.
(Aliás, ele escreve bem, o pai dele é o Sergio Sant’Anna, um dos maiores escritores da literatura brasileira contemporânea, e o tio é o Ivan Sant’Anna, outro puta escritor. Onde estão as Forças de Paz da ONU que não intervêm nessa família, pô?)

“NÚNCARAS” – po+es+ia

rua da aurora
infância onde não pintei
os sete sonhos de valsa
setenta namoradas namorandando por lá

chicletes mascavam dentes
sorvetes de bicicleta beabavam professoras
& carlitos ia ao cinema

os pés de romã subiam por mim
inda me lembro como se fosse amanhã


meus oito ½

o hino ingênuo
o manto azulado
a sombra debaixo
o perfume dos pés

colher tirar
que braços que sonhos
beiras ligeiras
carícias bordadas

respira correndo
atrás azuis
doces delícias
descalços nus

ave marias!
não trazem mais

TODO PROSA


Desde 2016 antes de Cristo já se sabe que o importante é competir. É tão importante que vale até subornar o juiz e pisar na carótida do adversário só para competir por aquela medalhinha dourada.

OS JOGOS

1.
Lembrem-se do inimigo. E lembrem-se que não há inimigos. Sim, porque o motivo da competição é mostrar que somos todos irmãos, humanos. Temos a honra de representar nossa pátria. A mesma honra que todos aqui têm, cada qual com sua pátria. Por isso eu gostaria de parabenizar a todos. Ainda não começamos nossa missão e já vencemos. Porque estarmos aqui, imbuídos desse espírito, é a maior vitória que podemos alcançar.

4.
Lembrem-se das cores de nossa bandeira. Sim, porque ali está a nossa pátria, que vamos defender mais uma vez. E que sacrifício nós, qualquer um de nós, não é capaz de fazer para defender o nome da pátria? Sim, vamos competir. Mas que prazer não teremos em ver o nome de nossa pátria brilhar o mais alto possível nas competições? Que honra não teremos em trazer alguma medalha, uma que seja, para nosso país?

8.
Lembrem-se que os últimos não serão os primeiros. Sim, o importante, sem dúvida, é competir. Esta é nossa meta, nosso fim, nosso destino. Mas ninguém gosta de chegar em último. As pessoas até se conformam que essas coisas aconteçam uma vez, mas certamente se revoltam quando isso se torna rotina. Por isso, desta vez, nos empenhamos tanto na preparação. Portanto, pedimos encarecidamente não questionem nossos métodos. Acreditem! Tomem as pílulas e as injeções. Elas são complementos indispensáveis para o nosso desempenho. E dessa vez, o nosso desempenho engrandecerá as cores de nossa pátria! E as medalhas virão!

12.
Lembrem-se que nossos patrocinadores esperam que cada um cumpra com o seu dever. Sim, porque eles já cumpriram o deles. Investiram uma fortuna em vocês. E esperam retorno. Parem com essa mania de injeção e pílulas, apenas apliquem os chips subcutâneos, mais nada além disso, por favor. Qualquer outra coisa será responsabilidade de cada um, e nós da delegação não nos envolveremos em nenhuma questão legal daí resultante. Às medalhas, minha gente!


16.
Lembrem-se. Vocês são a vergonha do país. Sim, a vergonha, a escória, a ralé. É assim que partimos para mais essa competição. Se vocês querem voltar e ter novamente uma vida normal, ao lado de seus familiares, façam por merecer. Ganhem! Vençam! Derrotem! Usem de todos os expedientes para isso. Da mesma maneira que nós já usamos durante a preparação. Trapaceiem, enganem, fraudem! Vale tudo para competir. E triunfar!

20.
Lembrem-se que o esporte é a continuação da guerra. Sim, foi por isso que fizemos essa tregua nas batalhas e vamos mais uma vez participar dos jogos. Mas dessa vez não basta competir, temos que superar e subjugar os nossos competidores. Lembrem-se que eles também são atletas e que todo atleta adversário é um inimigo e deve ser massacrado da mesma maneira que temos massacrado nossos inimigos no campo de batalha. Que vença o mais forte. E nós já provamos que somos os mais fortes.

24.
Esqueçam o passado. O importante é que vocês estarão defendendo as cores da pátria. Sim, foi para isso que todos vocês foram contratados e naturalizados. Gostaria de desejar sorte, gostaria de agradecer o empenho de cada um e desde já, gostaria de parabenizar a todos. Com vocês, unidos entre si e a nossos patrocinadores, não há a menor possibilidade de não ganharmos todas as medalhas. E, para terminar, gostaria de lembrar mais uma vez: as cores da pátria são verde, amarelo e vermelho! É fácil, são as mesmas de nossos patrocinadores.

HOJE É DIA DE VISITA


Por causas e contas olímpicas, muito se tem falado do Rio e mais ainda planejado para ele. Os poetas também falam das cidades. Não imaginam o traçado do novo transporte nem calculam o quanto de cimento e faturamento se terá. Manuel Bandeira morou de cara pro Santos Dumont e disse: “todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir”. Já Drummond permanece na cidade, seja no bronze sentado em banco de praia, seja etéreo, sobrevoando um Rio de versos.

CANÇÃO DA PARADA DO LUCAS

Manuel Bandeira


Parada do Lucas
- O trem não parou.

Ah, se o trem parasse
Minha alma incendida
Pediria à Noite
Dois seios intactos.

Parada do Lucas
- O trem não parou.

Ah, se o trem parasse
Eu iria aos mangues
Dormir na escureza
Das águas defuntas.

Parada do Lucas
- O trem não parou.

Nada aconteceu
Senão a lembrança
Do crime espantoso
Que o tempo engoliu.


CORAÇÃO NUMEROSO

Carlos Drummond de Andrade

Foi no Rio.
Eu passava na Avenida, quase meia-noite.
Bicos de seio batiam nos bicos de luz estrelas inumeráveis.
Havia a promessa do mar
e bondes tilintavam,
abafando o calor
que soprava no vento
e o vento vinha de Minas.

Meus paralíticos sonhos desgosto de viver
(a vida para mim é vontade de morrer)
faziam de mim homem-realejo imperturbavelmente
na Galeria Cruzeiro quente quente
e como não conhecia ninguém a não ser o doce vento mineiro,
nenhuma vontade de beber, eu disse: Acabemos com isso.

Mas tremia na cidade uma fascinação casas compridas
autos abertos correndo caminho do mar
voluptuosidade errante do calor
mil presentes da vida aos homens indiferentes,
que meu coração bateu forte, meus olhos inúteis choraram.

O mar batia em meu peito, já não batia no cais.
A rua acabou, quede as árvores? a cidade sou eu
a cidade sou eu
sou eu a cidade
meu amor.

PATAVINinha’s


- o playground do patavina’s –

E já que é dia das Crianças, menos tênis e mais poesia pra elas.


UM ELEFANTE ELEGANTE


Elias, o elefante
gosta de andar elegante.
No inverno veste terno.
No verão, um bermudão.

O alfaiate Alfredo
é quem costura sua roupa.
Tem que acordar bem cedo
que a tarefa não é pouca.

Fez um casaco listrado
e um colete estampado.
Duas calças de flanela
e uma cueca amarela.
Com a sobra da fazenda
fez quatro meias de renda
e uma blusa sem gola.

Mas que azar...
Na hora de experimentar
o rabo ficou de fora!

PLEASE MISTER POSTMAN


MEU E MAIL

cesarcar@uninet.com.br


©Cesar Cardoso, 2009. Todos os direitos reservados. E os esquerdos também. Que as pulgas infectadas de 6000 camelos infestem a cama de quem publicar algum texto daqui sem avisar nem dar meu crédito.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

CAIU NA REDE É PIXEL



CINCO CARAS - AUTO DE RESISTÊNCIA

O elemento encontrado em flagrante delito na tentativa de evadir-se, é conhecido pela alcunha de Cinco Caras e de alta periculosidade, com passagens anteriores por diversas instituições de recolhimento do Estado. Suas atitudes ilícitas são comprovadas por depoimentos de diversas autoridades assim como por moradores da localidade, envolvendo o tráfico de drogas e vários outros delitos como o jogo clandestino, sendo também comprovado seu parentesco de neto com o foragido Zé do Nove, que comanda o jogo do bicho em toda a região.

Durante o cerco policial à localidade suspeita, o elemento reagiu à voz de prisão, tendo disparado mais de vinte projéteis em direção aos agentes da lei. Após o necessário revide policial para a neutralização do resistente, foram encontradas em seu poder duas granadas de uso exclusivo das Forças Armadas, além cinco quilos de cocaína. O corpo foi recolhido ao Instituto Médico Legal para exame de perícia, tendo todos os trâmites se dado dentro do estrito cumprimento do dever legal.

CHIPS – o prazer da batata & o poder do circuito –

HAICONTOS


A NOTÍCIA

A cada manhã, ele acorda às seis e meia, desliga o despertador antes que toque, se levanta sem fazer barulho nem acender a luz, vai até o banheiro, fecha a porta meio emperrada com cuidado, ergue a tábua de madeira, mija, pega a escova na prateleira dentro do box, bota pasta, escova os dentes, bochecha, cospe, passa uma água fria demais no rosto, vai até a sala, tira o pijama, veste a bermuda e a camiseta que deixou esticadas de véspera sobre a poltrona, calça as havaianas, abre a porta da sala com cuidado, desce o lance de escadas, abre a portaria, atravessa a rua, para em frente à banca, espera que cheguem os três jornais, empilha os exemplares, paga com o dinheiro já certo, volta para casa, senta-se em frente à mesa da cozinha e lê atentamente os obituários, à procura da notícia de sua morte.


A PRISÃO

Foi julgado, condenado e levado à cela com vendas nos olhos. No caminho lhe informaram que nas novas prisões não havia grades e lá ele só permaneceria por sua livre vontade, mesmo tendo sido condenado.

Quando pôde tirar a venda estava só na cela e pôs-se a andar apressado com um único pensamento: ir embora dali imediatamente.

Mas a cela é tão ampla que, por mais que caminhe dias e noites sem parar, jamais consegue encontrar a saída.


A VIAGEM

Esse ano conheci Praga, a única capital européia em que ainda não fora. Tive que tomar um dalmadorm e meio pois o vôo era mais longo que o habitual. O cálculo do doutor Castello mais uma vez foi perfeito, acordei com o avião pousando.

As instalações do hotel correspondiam exatamente ao que eu vira no site. Inclusive os cabides vermelhos. Já o bar que escolhi não se mostrou tão agradável assim. O trânsito fazia com que a viagem até lá durasse sempre cinco minutos a mais do que o previsto. Algumas cervejas não vieram na temperatura prometida no e mail. E nem todas as garçonetes aceitaram minhas ofertas monetárias para me acompanhar até o quarto.

Mesmo assim tomei os doze porres, um para cada noite passada na cidade.

Talvez eu volte pro ano.

OUTDOR – poemas visuais –




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