segunda-feira, 3 de maio de 2010

“NÚNCARAS” – po+es+ia


ROBERTO PIVA

O poeta Roberto Piva está com 73 anos e teve sua obra principal – o livro Paranóia – relançado pelo Instituto Moreira Salles em 2009. São 19 poemas que conversam com fotografias do artista plástico Wesley Duke Lee. Que dupla, hein?

Piva já publicou Paranóia (Massao Ohno, 1963, reeditado em 2000 e em 2009 pelo Instituto Moreira Salles), Piazzas (1964, reeditado em 1979), Abra os olhos e diga AH! (1976), Coxas (1979), 20 poemas com brócoli (1981), Quizumba (1983), Ciclones (1997) e Estranhos sinais de Saturno (2008), além de uma antologia poética em 2005 e manifestos. Esses livros estão em Obra Reunida (editora Globo), organizada por Alcir Pécora, em três volumes: Um estrangeiro na legião (2005), posfácio de Claudio Willer, Mala na mão & asas pretas (2006), posfácio de Eliane Robert Moraes, e Estranhos Sinais de Saturno (2008), posfácio de Davi Arrigucci Jr. Em 2010, foi lançada uma coletânea de suas entrevistas, Encontros: Roberto Piva, pela editora Azougue. Piva relê São Paulo e o mundo (real e literário) com olhos peculiares, oníricos, beats e experimentais Vale a pena conhecer – ou melhor: mergulhar em sua poesia.

Nesse momento o poeta passa por grandes problemas de saúde, sofrendo de Mal de Parkinson e tem recebido a ajuda de vários outros poetas, como Ademir Assunção, que divulgou as dificuldades de Piva em seu blog, e Claudio Willer, que participou do programa Sempre um Papo, no SESC Vila Mariana, em Sampa, falando sobre Piva e sua obra, junto com depoimentos de Antonio Fernando de Franceschi, Celso de Alencar, Roberto Bicelli, Toninho Mendes, Ugo Giorgetti e Valesca Dios. E com vocês... Roberto Piva!

Paranóia

Eu vi uma linda cidade cujo nome esqueci
onde anjos surdos percorrem as madrugadas tingindo seus olhos com
lágrimas invulneráveis
onde crianças católicas oferecem limões para pequenos paquidermes
que saem escondidos das tocas
onde adolescentes maravilhosos fecham seus cérebros para os telhados
estéreis e incendeiam internatos
onde manifestos niilistas distribuindo pensamentos furiosos puxam
a descarga sobre o mundo
onde um anjo de fogo ilumina os cemitérios em festa e a noite caminha
no seu hálito
onde o sono de verão me tomou por louco e decapitei o Outono de sua
última janela
onde o nosso desprezo fez nascer uma lua inesperada no horizonte
branco
onde um espaço de mãos vermelhas ilumina aquela fotografia de peixe
escurecendo a página
onde borboletas de zinco devoram as góticas hemorróidas das
beatas
onde os mortos se fixam na noite e uivam por um punhado de fracas
penas
onde a cabeça é uma bola digerindo os aquários desordenados da
imaginação

PATAVINA’S NEWS



BALA PERDIDA MATA IRACEMA

Uma discussão de trânsito acabou em tragédia ontem à tarde, na esquina da Rua Ipiranga com a Avenida São João. O motoqueiro João Rubinato avançou o sinal e atropelou o segurança Cibide Barbosa, que reagiu a tiros. Mas a única pessoa atingida pelos disparos foi a doméstica Iracema (sobrenome desconhecido), que saía do magazine Leader, onde fora comprar seu vestido de noiva. Iracema ainda tentou correr, mas acabou sendo atropelada por um carro, pois o sinal já abrira e ela atravessou na contramão. No entanto o Instituto Médico Legal confirmou à nossa reportagem que Iracema morreu devido ao ferimento à bala, que perfurou seu pulmão, e não por causa do impacto do veículo, que lhe causou apenas escoriações generalizadas. Nenhum familiar compareceu ao IML para requisitar o corpo, nem mesmo o noivo. Segundo informações da funcionária do Magazine Leader, que vendeu o vestido de noiva, a vítima teria lhe mostrado um retrato do noivo e confidenciado que este encontra-se detido por furto na Penitenciária de Guarulhos, “mas que sai mês que vem”.

(Da reportagem local)

UM CONTO, UM PONTO

VOCÊ JÁ LEU SEU TREVISAN HOJE?

100.

A velhinha:
- Se um de nós faltar... ai, João... o que vai ser de mim?

90.

A barata – hóstia da náusea metafísica que se oferece às três da manhã na tua missa negra da insônia.

53.
Tão deprimida. Bebo em jejum dois copos do vinho laranja. Fico bem tonta. E varro alegrinha a casa inteira.

(Do livro 111 Ais, de Dalton Trevisan. L&PM Pocket.)

BARATA VOA - vale tudo, menos porrada –

O PAI DOS BURROS
GUIA IMPRATICÁVEL DA LÍNGUA PORTUGUESA
CAPITULO 6

O mal é o que sai da boca do Homem. Palavras do Senhor. Sobretudo se o que sai começa com K. Ô letrinha miserável! Isso não se faz com um cidadão que paga seus impostos. Porventura vos esqueceis que linguista também é gente, a nível de ser, enquanto humano? Temos que banir para todo o sempre estes estrangeirismos de nossa língua. Onde estão as autoridades constituídas que não tomam uma providência? Lavro aqui meu protesto semiológico-patriótico. (E pensar que ainda tem o Y e o W... Senhor, tende piedade de mim!)
J

JABOATÃO - Segundo espalharam por aí, parece tratar-se do topônimo de uma hipotética cidade provavelmente localizada no estado que alguns afirmam chamar-se Pernambuco, num suposto país que teria o nome de Brasil. (Mas se falarem que fui eu que disse isso, eu nego.)

JANELA - Locução interjeitiva gritada pelo dono, com o intuito de atiçar o cão à ladra.

JAPERI - Palavras de Ceci, ao constatar que seu amado – Peri – sofria de ejaculação precoce.

JASMINEIRO - Ritmo musical caracterizado pelo improviso e originário de Minas Gerais।

JOGADO - Bovino meio largadão.

JOGATINA - Forma de lazer popular praticada pelas lavadeiras.

JORNADA - Espécie de jornal, falado ou escrito, que não informa coisa alguma.

JUDITE - Doença que ataca os judeus.

JUGULAR - A veia poética de Ferreira Gular.

JURÁSSICO - Período da Terra no qual os juros eram altíssimos.

JUJUBA - Bala feita de crina de leão.

JUVENIL - O filho mais novo do Juvenal.

K

KAFKA - Comida árabe feita de enormes insetos conhecidos como Gregor Sampsa.

KAMA-SUTRA - Leito de motel hindu.

KARMA - Expressão mineira para evitar o pânico.

KERENSKI - Político russo que queria e, com a revolução de 1917, ficou querendo.

KIBUTZ - Variação israelense de kibe.

KLEBER - O mesmo que Cleber, só que metido a besta.

KOCH - Bacilo tenista.

KRUSCHEV - Nome dado ao refrigerante Crush na Rússia.

L

LÁ - A mais longínqua das notas musicais.

LATICÍNIO - Homicídio cometido a golpes de lata.

LAMAÍSMO - Religião tibetana que prega que Adão foi feito de barro molhado.

LAUREAR - Dar o prêmio para a Laura.

LINCHADO - Aquele que apanhou até inchar.

LIQUIDAR - Matar por afogamento.

LISÉRGICO - Substância que faz o Sérgio ficar doidão.

LOCOMOVER - Ato de mover o louco.

LOROTA - Loura oxigenada.

LUSÍADAS - Poema épico que narra as aventuras de Luzia e o que ela ganhou na horta.


E NÃO PERCA NO SEXTO E INEBRIANTE CAPÍTULO DO PAI DOS BURROS, UM MÉNAGE A TROIS ENTRE AS LETRAS M, N E O! É VER PARA CRER!

- LHUFAS - coisa com coisa nenhuma –



PEQUENO INDICIONÁRIO DE NUTILIDADES – FASCÍCULO 7

Coágulo De Diadorim
Expressão substantiva de vereda
Constelação visível apenas nos céus do hemisfério Sul e no Círculo Polar Ártico, durante seu curto verão. Pode ser localizada pelas seis estrelas avermelhadas que formam os dois triângulos conhecidos como Raso do Cachorral e Corguinho do Dinho. As estrelas são Garanço, Curiol, Fafafá, Retenteia, Rama-de-Ouro e Cererê Velho. Segundo a lenda, elas orientam os navegantes desde que estes fechem os olhos e se deixem levar. Quem não tiver coragem para tal, é melhor não procurar o Coágulo de Diadorim nos céus pois seu navio não naufragará mas nunca mais chegará a um porto, ficando a navegar em mares desconhecidos para sempre. Esse castigo teria se abatido sobre a nau de Vasco de Ataíde, que fazia parte da esquadra de Pedro Álvares Cabral e nunca mais foi encontrada. Conta-se também que Macunaíma, o herói de nossa gente, decidiu morrer para ir viver no Coágulo de Diadorim, mas ainda não encontrou a constelação e vive perdido na imensidão do céu. “Eu não imaginava que infinito era tanto”, disse ele e seguiu correndo atrás da constelação. Por isso, cada vez que vemos uma estrela cadente, é Macunaíma correndo pra tentar encontrar Diadorim.

Cós Do Capeta
[Do provenç. cors da capitto ]
Segundo uma velha lenda corsa, o cós do capeta é uma tira de pano que dá a quem a possui a capacidade de se transmudar em qualquer outra pessoa. No tempo em que Deus e o Diabo ainda se falavam, embora já estivessem brigados, contam que o Capeta resolveu fazer um terno novo só para ir ao aniversário de Deus. E o encomendou a São Casimiro, protetor dos alfaiates. O santo, temendo que a presença de Lúcifer desagradasse o Todo-Poderoso e acabasse por estragar a festa que todos no céu preparavam com tanto cuidado, decidiu não aprontar nunca o terno, para não deixar o Demônio ir lá. Por isso, toda vez que o Coisa Ruim chegava para experimentar a roupa, São Casimiro tirava fora o cós da calça e dizia que precisava refazê-lo. O Diabo percebeu o truque do santo, foi juntando todos os coses que Casimiro jogava fora, lavou-os numa noite sem lua nem estrela e pediu a um súcubo que lhe fizesse uma roupa idêntica à do santo. Quando chegou o aniversário de Deus, enquanto São Casimiro costurava ferozmente, o Diabo, disfarçado de São Casimiro, dançava, comia e bebia a valer na festa divina.
Desabotão
[ Do fr. arcaico dessous-botton ]
Botão impossível de ser desabotoado. Na Idade Média, a Igreja Católica declarou na Summa Omnium Conciliorum Et Pontificum que o Desabotão fora criado por Deus para manter a virgindade das mulheres. Mas, segundo um evangelho apócrifo, atribuído a São Loquace de Parma, o desabotão seria o botão da verdadeira arca da aliança. Ela estaria trancada no paraíso e guardaria as memórias da família de Deus,coisas como retratos de seus pais e de Deus brincando com seus irmãos quando criança. Foi por não conseguir abrir o desabotão que Deus resolveu criar o Universo e a humanidade. Mas por não se esquecer dele, tornou-se vingativo e amargo, sempre desforrando em suas criações a raiva que as saudades lhe acumularam por dentro.
Eva-De-Pulmão
Subst. paradisíaco
Mulher que Deus fez de um pulmão de Adão e que possuía a capacidade de viver dentro dágua, respirando como os peixes. Ela e Adão não se davam bem, não gostavam das mesmas comidas nem dos mesmos recantos do Paraíso, tinham sono e fome e cansaço sempre em horas diferentes. Além disso, Eva conversava com vários animais, que a acompanhavam dia e noite, fazendo com que Adão, enciumado, vivesse brigando com ela. Após essas brigas, quando Adão muitas vezes chegava a agredir Eva sem que Deus interferisse, ela passava meses no mar, em companhia dos peixes. Quando Eva enfim retornava à terra firme, Adão não a deixava dormir a seu lado, reclamando do cheiro de maresia que ela exalava. “Que fosse dormir com os peixes!”, gritava ele, acordando os seres do Paraíso. Até que um dia Adão seguiu Eva a uma praia de rio onde ela gostava de se banhar. Enquanto sua mulher sumia sob as águas, ele pôs-se de tocaia atrás de uma grande pedra azul, numa das margens. Quando Eva voltou à superfície e tirava os cabelos do rosto para olhar o vulto que se aproximava, Adão golpeou-a várias vezes com um arpão feito de presas de elefante, até ter certeza de que estava morta. Para sua surpresa, o corpo de Eva não parava de sangrar. Adão arrastou-o até o mar e encheu-o de pedras para que submergisse. E o corpo de Eva realmente afundou e desapareceu da vista de Adão. Mas o mar foi-se tingindo mais e mais de vermelho. Adão fugiu de volta para a floresta, onde encontrou Deus. É claro que Deus – que desde sempre tudo via e em tudo estava – sabia o que acontecera e nem perguntou a Adão por Eva. Limitou-se a dizer: vá e traga o corpo da que eu criei. Adão passou meses mergulhando em meio às águas vermelhas e turvas. Num desses mergulhos viu a mulher e era como se ainda estivesse viva, pois repetia seu último gesto em vida, desembaraçando os cabelos e tirando-os do rosto para olhar para o vulto à sua frente. Apavorado com a cena, Adão acabou se enovelando nos cabelos de Eva e morreu afogado junto ao corpo da mulher. Assim terminou esta humanidade, a terceira criada por Deus. Ele já criou várias humanidades diferentes. A nossa é a décima segunda e está chegando ao fim.

Orlágrima
[Do lat. vulg. orulacrima.]
Subst. ocular

1. Lágrima marítima, que deságua na praia durante as marés de sizígia. Ela se difere da simples água do mar por sua coloração arroxeada e por não possuir nenhuma quantidade de sal, sendo a única lágrima doce do mundo. O que ainda não sabemos é porque o mar chora.
2. Pedra que existia no nascimento do mundo e que decifrava para os seres humanos, para os animais e para as outras pedras o que os deuses falavam. Nessa época, todas as coisas que existiam – fossem minerais, vegetais, gentes ou deuses – falavam, voavam e inventavam. Mas os deuses queriam reinar sozinhos e acabaram por subjugar todas as outras coisas. A orlágrima tentou alertar a todos sobre os planos divinos e por isso os deuses a condenaram a nascer e viver somente nos rins dos seres humanos, onde ninguém a escuta e ela só pode causar dor.

Paratório
[Do quíchua. Paretl + sufixo ório.]
Parada que havia nos caminhos do império Inca que percorriam a América, do extremo sul chileno até as florestas da Guatemala. Ali havia um poeta, um juiz e um verdugo. Quem estivesse de passagem, era obrigado a parar, escutar algum texto lido pelo poeta e interpretá-lo. Em seguida, o juiz estabelecia se a interpretação estava certa ou errada. Se fosse considerada correta, a pessoa era imediatamente decapitada pelo verdugo, por não ter imaginação.

UM CONTO, UM PONTO

“Pois que inventar aumenta o mundo.”


Manoel de Barros

OUTDOR – poemas visuais –


CAROS AMIGOS



Essa é a minha crônica do mês de abril na revista Caros Amigos, que já se encontra nas melhores bancas do ramo! Este número traz várias matérias sobre cultura brasileira: uma entrevista com o ministro da cultura Juca Ferreira, o escritor Paulo Lins falando de literatura, cinema e Rio de Janeiro, e o cartunista da nova geração André Dahmer. E mais: a destruição da mata atlântica na Juréia, Bezerra da Silva e os 13 anos de existência e resistência da revista. Sem falar na seleção brasileira de articulistas, pra Dunga nenhum botar defeito.

REVISTA CARAS... AMIGAS

O SUPLEMENTO RICO E CHIQUE DA CAROS AMIGOS

(no próximo número sairemos em inglês e papel couché,
para nos diferenciarmos do resto da revista)


Editores: Gisélio Bunchen & Cesar Cardoso


Saiu a Coleção “Para Entender O Brasil”, com os depoimentos dessa gente humilde, que vontade de chorar! Volume um: Porque Eu Amo Morar Numa Favela que Desaba e Inunda. Volume dois: Porque Eu Adoro Trabalhar de Camelô em Vez de Ter Carteira Assinada e Aposentadoria. E volume três: Porque eu Sou Apaixonado Por Vender Droga em Vez de Estudar. Finalmente nós, da elite, vamos entender essa gentalha (e descobrir que eles não têm jeito mesmo).

E já que, por falta de assunto melhor, estamos falando do povinho, pesquisa: responda depressa, o brasileiro é um povo pacífico ou atlântico?

Amiga participativa: saíram as novas palavras de ordem pra você desfilar sua coleção outono/inverno nos Jardins: “Paz na Terra! Viva a Batalha Naval!” “Basta de basta. Agora é Bosta!” E: “Nem mais um dia: liberdade aos frangos de padaria!”

Um pouco de economia. Preocupados com a ascensão dos pobres ao mundo do consumo, os bancos lançaram uma linha de crédito popular para a compra da dignidade própria. O kit completo vem com diploma universitário que dá direito à prisão especial. Vamos lá, miserável, não perca a sua chance de dizer: “sabe com quem está falando?”

E o Brasil, hein? Corrupção, vá lá. Agora, ascensão social dos pobres? Francamente! Mas otimismo, my friends, otimismo. O planeta vai esquentar? Oba, vamos vender ar condicionado. Vai ter enchente pra todo lado? Oba, vamos vender bóia. Vai desabar tudo? Oba, vamos vender material de construção!

É isso aí. Liberdade, liberdade: abre as patas sobre nós!

PATAVINinha’s


O PLAYGROUND DO PATAVINA’S –
ENQUANTO A MAMÃE FAZ COMPRAS NA INTERNET,
AS CRIANÇAS SE ADIVERTE!



O GAMBÁ VIAJANTE

Compadre gambá
resolveu passear
num caronavião
partiu pra Paris.
Na hora do vôo
a aeromoça falou:
- Apertem os cintos
e tapem o nariz.

Chegando lá
compadre gambá
comprou um chapéu
e todo elegante
tirou uma foto
na porta do hotel.

Também comprou
incenso chinês
e trezentos litros
de perfume francês.
Percorreu os museus
passeou pelas noites
com a lua no céu.
E escalou a letra A
da torre Eiffel.
Sentou num barzinho
na borda do rio Sena
pra tomar um vinho.
Estava todo maneiro
mas, que pena!
acabou seu dinheiro.

Compadre gambá
parou, pensou
e não se apertou.
Num caronavio
voltou pra sua casa
na beira do rio.

Foi boa a viagem.
Trouxe de presente
pra gambaxirra
dois quilos de vagem
e uma mochila.
Pro gambarrato
ele deu um queijo
e pra você
que está lendo
mandou este beijo.


Meu e mail: cesarcar@uninet.com.br

©Cesar Cardoso, 2010. Todos os direitos e esquerdos reservados. Que os piolhos infectados de 18 mil camelos infestem as partes pudendas de quem publicar algum texto daqui sem avisar nem dar meu crédito.