sexta-feira, 28 de maio de 2010

BARATA VOA - vale tudo, menos porrada –

O PAI DOS BURROS
GUIA IMPRATICÁVEL DA LÍNGUA PORTUGUESA
CAPÍTULO 7

Você sabia... Que o ser humano que vive até os 75 anos pronuncia, em média, 558 trilhões de palavras?
Que o grupo humano que atinge o mais alto índice de vocábulos são os políticos baianos?
Que a professora aposentada Bósnia Herzegovina – a Tia Herzê – já alcançou a descabida marca de 839 trilhões de palavras, embora ninguém até agora, tenha entendido nada do que ela falou?
Você sabia, ó parvo!?!

M
MACABRA - Cabra de estimação do Boris Karloff.
MAJORAÇÃO - Ato de promover o major.
MAMELUCO - Bebê que, de tanto mamar, ficou maluco.
MANCOMUNAR - Convencer o manco a entrar pro PC do B.
MARRECO - Designação comum às aves que servem o exército.
MATRIZ - Atriz de desempenho sofrível.
MEDITADOR - Governante pensativo e autoritário.
MEGATON - Gato usado como cobaia em experiências nucleares.
METEÓRICO - Teórico brilhante, porém efêmero.
METÓDICO - Indivíduo que toma Toddy todos os dias à mesma hora.
MICROECONOMIA - Ramo da ciência econômica que estuda o salário mínimo.
MONARQUIA - Estado governado pela Monark.
MORIBUNDA - Região glútea agonizante.
MUDA - Pequena planta que não fala.

N
NAPOLEÃO - Político francês, mentalmente desequilibrado, que julgava ser ele mesmo.
NARCISO - Personagem da mitologia grega apaixonado por seu próprio dente de siso. Como vingança, os deuses o transformaram numa cárie.
NARCOTIZAR - Fazer vaquinha para comprar fumo.
NASAL - Relativo ou pertencente à Nasa.
NEBULOSA - Bula de remédio mal impressa.
NEUROVEGETATIVO - Produto hortifrutigranjeiro neurótico.
NEGATIVA – Afrodescendente que manda ver.
NINHARIA - Casa de passarinho financiada pela Caixa Econômica Federal.
NON TROPPO - Expressão idiomática italiana, cunhada durante a Segunda Guerra Mundial e utilizada pelas ragazzas para indicar que não topavam um programa com a tropa. A tradução mais fiel e atualizada é: “Hoje não, bem , tô com dor de cabeça”.
NUANCE - Ato de ficar nu sutilmente.

O
OBSECADO – Indivíduo sequinho e teimoso.
OBJEÇÃO - Injeção que, ao ser aplicada, mata o paciente.
OBSCENO - Função matemática pornográfica.
OBSERVANTE - Crítico literário estudioso da obra de Cervantes.
ODETE - Pequena ode.
OFUSCAR - Ato de esconder o fusca.
OMISSÃO - Locução interjeitiva que exprime desagrado nos cultos católicos de longa duração.
OSTRACISMO - Ato de banir as ostras do cardápio.
OURIÇO - Mamífero espinhento, chegado a embalos.

E não percam na próxima edição: o Pai dos Burros manda você a P Q R (pra quem não conhece, fica logo depois da P Q P)

SAMBLUES 2

A PARCERIA MA-NOEL

Na esquina de Vila Isabel com o Cerrado tem uma padaria que só abre à noite e serve sonhos pra quem dormir no balcão. Foi o que fizeram por lá Noel Rosa e Manoel de Barros. Dormiram, comeram sonhos e sonharam a seguinte conversa:

- Batuque é um privilégio / ninguém aprende samba no colégio
- Contenho vocação pra não saber línguas cultas.
Sou capaz de entender as abelhas do que alemão।

- Eu queria usar palavras de ave para escrever.
- Quem acha vive se perdendo

- O mundo é o samba em que eu danço / sem nunca sair do meu trilho / vou cantando o teu nome sem descanso / pois do meu samba tu és o estribilho
- O que não sei fazer desmancho em frases.
Eu fiz o nada aparecer.


- Eu sou o medo da lucidez.
Choveu na palavra onde eu estava.
- Quem dá mais? / por um violão que toca em falsete / que só não tem braço, fundo e cavalete / pertenceu a Dom Pedro, morou no palácio / foi posto no prego por José Bonifácio

- São Paulo dá café / Minas dá leite / e a Vila Isabel dá samba
- Depois de ter entrado para rã, para árvore, para pedra,
- meu avô começou a dar germínios।

- O poema é antes de tudo um inutensílio.
- Tudo aquilo que o malandro pronuncia / com voz macia / é brasileiro / já passou de português

- O sol da Vila é triste / samba não assiste / porque a gente implora / sol pelo amor de Deus/ não vem agora / que as morenas vão logo embora
- Com cem anos de escória uma lata aprende a rezar.
Com cem anos de escombros um sapo vira árvore e cresce
por cima das pedras até dar leite.

- As palavras eram livres de gramáticas e
podiam ficar em qualquer posição.
- Você no inverno / sem meias vai pro trabalho / não faz fé com agasalho / nem no frio você crê / mas você é mesmo /artigo que não se imita / quando a fábrica apita / faz reclame de você

- Já fui convidada para ser estrela do nosso cinema / ser estrela é bem fácil / sair do Estácio é que é / o X do problema
- O ocaso me ampliou para formiga.
Aqui no ermo estrela bota ovo.
Melhoro com meu olho o formato de um peixe.

- Tudo que explique
a lagartixa da esteira
e a laminação de sabiás
é muito importante para a poesia.

- Fazer poemas lá na Vila é um brinquedo / ao som do samba dança até o arvoredo

- Nasci no Estácio / não posso mudar minha massa de sangue / você pode crer / palmeira do Mangue / não vive na areia de Copacabana
- Para encontrar o azul eu uso pássaros.
Só não desejo cair em sensatez.


- Repetir repetir – até ficar diferente.
Repetir é um dom do estilo.
- e o povo já pergunta com maldade: / onde está a honestidade? / onde está a honestidade?

- Não tenho herdeiros / não possuo um só vintém / eu vivi devendo a todos / mas não paguei a ninguém
- Na travessia o carro afundou e os bois morreram afogados.
Eu não morri porque o rio era inventado.
Fugio, no dia 21, da Ladeira do Senado, esquina da Rua Paula Mattos, um moleque de nome Raymundo; levou vestido carapuça de lã, calça e camisa de algodão, camisa de baeta azul; no falar gagueja, e muito principalmente tendo medo; levou um caixote com banha e pomada para vender. Protesta-se com todo o rigor da lei contra quem o tiver acoutado.

PATAVINinha’s - o playground do patavina’s

O GAMBÁ VIAJANTE

Compadre gambá
resolveu passear
num caronavião
partiu pra Paris.
Na hora do vôo
a aeromoça falou:
- Apertem os cintos
e tapem o nariz.

Chegando lá
compadre gambá
comprou um chapéu
e todo elegante
tirou uma foto
na porta do hotel.

Também comprou
incenso chinês
e trezentos litros
de perfume francês.
Percorreu os museus
passeou pelas noites
com a lua no céu.
E escalou a letra A
da torre Eiffel.
Sentou num barzinho
na borda do rio Sena
pra tomar um vinho.
Estava todo maneiro
mas, que pena!
acabou seu dinheiro.

Compadre gambá
parou, pensou
e não se apertou.
Num caronavio
voltou pra sua casa
na beira do rio.

Foi boa a viagem.
Trouxe de presente
pra gambaxirra
dois quilos de vagem
e uma mochila.
Pro gambarrato
ele deu um queijo
e pra você
que está lendo
mandou este beijo.
Fugiu, da cidade nova, da Rua do Bom Jardim n. 65 A, no dia 28 de julho, um preto de nome Domingos, da nação angola, coxo de uma perna, com o rosto malhado de branco, com bastantes marcas de castigo em um dos braços.

MEUS CAROS AMIGOS

Segue minha crônica que está na revista Caros Amigos do mês de maio, já nas melhores bancas do ramo. A edição desse mês traz reportagem sobre os danos contra trabalhadores e meio ambiente causados pela Vale do Rio Doce, a arquiteta Ermínia Maricato falando sobre a desgraceira que são nossas grandes cidades, o fracasso da política anti-drogas e muito mais, incluindo a seleção brasileira de colunistas-craques que o Dunga não convocaria. É ler para crer!

SE A ELEIÇÃO FOSSE HOJE...

... em qual seleção você votava? Argentina? Espanha? Costa do Marfim? Você tirava o Lula, botava o Adriano e recuava o Robinho?

Imagine o seguinte: por uma dessas coincidências a final da Copa do Mundo vai cair na mesma hora da eleição. Pra piorar, o Tribunal Eleitoral e a Globo não chegaram num acordo, então você tem que escolher: ou vota ou vê a final. E o Brasil tá na final, é claro! Você prefere um presidente eleito ou uma seleção campeã? Qual dos dois vai mudar o país? Uma seleção campeã serve pra gente comemorar no maior porre e pra centenas de contratos milionários (nenhum conosco, também é claro!) E um presidente, serve pra que?

Eu, você, todo mundo joga uns dois reais por semana na mega-sena. Mas quanto a gente investiria num presidente? Se a gente fizer uma vaquinha, dá pra comprar um? Ou pra isso tem que ser vaquinha de latifundiário com banqueiro e empresário? E um presidente se vende? É no cheque, no cartão ou em dinheiro? Tem que ser à vista ou rola um crediário?

Se a eleição fosse hoje, você votava na Dilma, no Serra ou no Dunga? E se a eleição fosse pra técnico da seleção e o Ricardo Teixeira sozinho escolhesse o presidente? O Brasil melhorava no campo? E na cidade? Afinal, uma eleição serve pra quê? E um presidente, serve a quem?

Mas... e se a eleição não fosse hoje? Isso! Nem a eleição nem a final da Copa. Se hoje fosse por exemplo o Dia Universal do Líquido Amniótico ou da Proclamação da Escravidão? Ou fosse, digamos, o Dia Mundial da Giárdia ou do Assassinato por Motivo Torpe? Ou pior ainda: se hoje fosse hoje? Só hoje, hoje e mais nada? O que você faria?

Nunca é o dia certo, não é mesmo?

PLEASE MISTER POSTMAN





Meu e mail: cesarcar@uninet.com.br

©Cesar Cardoso, 2010. Todos os direitos e esquerdos reservados. Que os piolhos infectados de 18 mil camelos infestem as partes pudendas de quem publicar algum texto daqui sem avisar nem dar meu crédito.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

CAIU NA REDE É PIXEL









Com as flechas que me atirares, construirei minha devoção.
Mas quem a primeira flecha? O primeiro martírio?
Valei-te, São Sebastião!

CHIPS – o prazer da batata & o poder do circuito –


Meu caro maninho Cesar,
Aí vão as minhas primeiras nãopatias. Outras virão. Só não trago a pessoa amada em três dias. Posso, no máximo, levá-la, sem devolução.
Beijos desaforados e adentrados,
Alice (no país dos muravilhos)
(PS: você viu a exposição de arte em Sampa? Quando o problema da arte passa a ser a Receita Federal, algo já esqueceu de apodrecer, não achas?)

as nãopatias

Para que seu tio volte a molestá-la
Numa tarde nublada pegue uma faca só lâmina e retire os testículos de um carneiro. Use o sangue para untar uma Barbie, cubra tudo com punhados de arroz cru e enterre à sombra das bananeiras, debaixo dos laranjais.

Para que a pessoa amada perca os movimentos do lado direito do rosto
Junte punhados de tinhorão e espirradeira, coloque num liquidificador com um litro de seiva de coroa de cristo e bata até obter uma pasta. Durante um mês coloque um copo desse líquido na máquina de lavar junto com as roupas da pessoa amada e repita enquanto a lavagem acontece: com dois te movo, com dez te paro.

Para que não cresçam dentes nos umbigos
A cada noite de lua nova corte um punhado de cabelo de uma pessoa cega e prepare com eles uma sopa. Acrescente vidro moído obtido de janelas. Deixe ferver até secar e ponha as sobras ainda quentes dentro da fronha de seu travesseiro. Durma. Repita esse procedimento por dois meses.

Para ter sangramentos e hemorragias
Fume alguns maços e apague os cigarros um a um em seu supercílio direito, até que aconteça o rompimento de vasos sanguíneos. Repita a cada vez: “o poder do sangue, o sangue do poder, com ele sou vaso que vaza, vermelho de ser”. Para as mulheres, os cigarros podem ser substituídos pela gravidez seguida de aborto induzido por objeto perfuro-cortante.

Para que seu bicho de estimação não consiga mais se alimentar
No dia de São Francisco, retire o menor dente que seu bicho de estimação tiver, com um alicate de unha. Faça um breve com um pano da cor do pelo ou das penas ou da pele do animal e deixe de molho em uma papa de urtigas por três dias. Depois que secar, queime e jogue as cinzas na água do animal. Mas antes, retire o dente e implante-o em sua boca.

Para que nada aconteça
Na madrugada da oitava Sexta Feira de cada mês, acenda uma pequena vela cor de rosa e tente comê-la sem apagar sua chama. Para certificar-se de que a chama não se apagou, olhe no espelho até conseguir ver o brilho dela dentro de você. Desse dia em diante, nada acontecerá.

“NÚNCARAS” – po+es+ia


ROBERTO PIVA

O poeta Roberto Piva está com 73 anos e teve sua obra principal – o livro Paranóia – relançado pelo Instituto Moreira Salles em 2009. São 19 poemas que conversam com fotografias do artista plástico Wesley Duke Lee. Que dupla, hein?

Piva já publicou Paranóia (Massao Ohno, 1963, reeditado em 2000 e em 2009 pelo Instituto Moreira Salles), Piazzas (1964, reeditado em 1979), Abra os olhos e diga AH! (1976), Coxas (1979), 20 poemas com brócoli (1981), Quizumba (1983), Ciclones (1997) e Estranhos sinais de Saturno (2008), além de uma antologia poética em 2005 e manifestos. Esses livros estão em Obra Reunida (editora Globo), organizada por Alcir Pécora, em três volumes: Um estrangeiro na legião (2005), posfácio de Claudio Willer, Mala na mão & asas pretas (2006), posfácio de Eliane Robert Moraes, e Estranhos Sinais de Saturno (2008), posfácio de Davi Arrigucci Jr. Em 2010, foi lançada uma coletânea de suas entrevistas, Encontros: Roberto Piva, pela editora Azougue. Piva relê São Paulo e o mundo (real e literário) com olhos peculiares, oníricos, beats e experimentais Vale a pena conhecer – ou melhor: mergulhar em sua poesia.

Nesse momento o poeta passa por grandes problemas de saúde, sofrendo de Mal de Parkinson e tem recebido a ajuda de vários outros poetas, como Ademir Assunção, que divulgou as dificuldades de Piva em seu blog, e Claudio Willer, que participou do programa Sempre um Papo, no SESC Vila Mariana, em Sampa, falando sobre Piva e sua obra, junto com depoimentos de Antonio Fernando de Franceschi, Celso de Alencar, Roberto Bicelli, Toninho Mendes, Ugo Giorgetti e Valesca Dios. E com vocês... Roberto Piva!

Paranóia

Eu vi uma linda cidade cujo nome esqueci
onde anjos surdos percorrem as madrugadas tingindo seus olhos com
lágrimas invulneráveis
onde crianças católicas oferecem limões para pequenos paquidermes
que saem escondidos das tocas
onde adolescentes maravilhosos fecham seus cérebros para os telhados
estéreis e incendeiam internatos
onde manifestos niilistas distribuindo pensamentos furiosos puxam
a descarga sobre o mundo
onde um anjo de fogo ilumina os cemitérios em festa e a noite caminha
no seu hálito
onde o sono de verão me tomou por louco e decapitei o Outono de sua
última janela
onde o nosso desprezo fez nascer uma lua inesperada no horizonte
branco
onde um espaço de mãos vermelhas ilumina aquela fotografia de peixe
escurecendo a página
onde borboletas de zinco devoram as góticas hemorróidas das
beatas
onde os mortos se fixam na noite e uivam por um punhado de fracas
penas
onde a cabeça é uma bola digerindo os aquários desordenados da
imaginação