sexta-feira, 4 de junho de 2010

sexta-feira, 28 de maio de 2010

CAIU NA REDE É PIXEL




esse
meu
olhar
quando
encontra
a
bossa
nova

A COZINHA DA COPA

A sessão espírita de
Pai Zidane de Ogum

Nosso médium-volante adivinha tudo que vai acontecer na África do Sul.
Ganhem ou empatem, isto é, não percam! Ê-ê, misinfim!


Na cerimônia de abertura da Copa, o destaque será a Nova Zelândia. Sua equipe, formada por cinco jogadores de basquete, três cirurgiões-dentistas, dois mágicos e um ex-anão, apresentará um teatro didático explicando ao público que eles não são a Austrália.

A Coreia do Norte vai aproveitar que a Coreia do Sul foi pra Copa pra invadir os vizinhos. Mas como a Coreia do Norte também vai pra Copa, a Coreia do Sul vai ter a mesma ideia de jerico. O resultado é que, a partir de agosto, a Coreia do Norte passa a ser a do Sul e a do Sul vira a do Norte. Só que os dois países vão levar anos pra conseguir explicar isso na ONU. E enquanto isso acontece, os Estados Unidos vão invadir os dois.

O técnico Dunga ensaia uma nova jogada secreta. Ela é tão secreta que ele não conta nem pros jogadores. Mas Pai Zidane já viu tudo nos búzios e revela em primeira mão: dois agentes da CIA invadem o campo e algemam o goleiro adversário, acusando-o de envolvimento com o enriquecimento de urânio para o Irã. Enquanto isso, nossos atacantes dão risinhos e apontam para o goleiro. Em seguida uma mulher invade o campo com dois bebês, gritando que o goleiro é o pai das crianças e exigindo pensão. As crianças choram e se agarram às pernas do pai. A mulher puxa o cabelo de um agente da CIA. O outro dá tiros pro alto. Aproveitando a confusão, Kleberson entra no lugar de Cacá e chuta em gol.

Numa Copa extremamente politizada, uma pancadaria nas arquibancadas do estádio Ellis Park, em Johannesburgo interrompe a partida entre Grécia e Argentina. O tumulto começa quando gregos que protestam contra o arrocho salarial em seu país são agredidos por eslovacos contrários à separação da república Tcheca. Estes, por sua vez, são surrados por sérvios que os confundem com os eslovenos, que brigam com alemães de direita que dirigem uma van, querem dobrar à esquerda e acabam atropelando um grupo de ingleses de uma liga antialcoólica que, completamente bêbados, são presa fácil para os paraguaios falsificados de chineses que tentam embarcar num navio pros Estados Unidos. A polícia sul-africana age prontamente e prende 38 pacifistas neozelandeses.

E agora, num oferecimento de Chico Xavier Imóveis do Além, um pouco de história para abrilhantar o brilho de nossa reportagem.

A atuação mais rápida de todas as copas foi a do zagueiro escocês Ballantines que, na Copa de 62, permaneceu apenas 37 segundos em campo. Entrou por um lado e saiu imediatamente pelo outro ao notar que havia esquecido o uniforme no vestiário, Nunca foi explicado o que um zagueiro escocês fazia numa Copa em que a Escócia não se classificara, e aqui temos outro recorde, o de maior mistério.

O torcedor mais chato da história dos Mundiais é um brasileiro. O funcionário público Anuênio de Carvalho começou a comemorar a vitória brasileira contra o Chile, em 1962, gritando “que passa, hombre?” pelas ruas de Santiago e só parou ao levar 3 tiros de um carabineiro, na queda do governo Allende, em 72.

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VÓS TENDES ALGUM EMBARAÇO EM VOSSA SELEÇÃO?
Quereis fazer voltar à vossa companhia aquele juiz do primeiro jogo?
Vossa defesa é envolvida com facilidade e vosso goleiro sucumbe aos caprichos do destino?
Consulte Pai Zidane de Ogum.
O poder dos astros em vossas mãos। Ou, se preferis, nos pés. Mandinga pro goleiro adversário escorregar na hora do escanteio. E pênaltis a preços módicos.

Cartas para esta seção espírita.
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SAMBLUES 1


N.P.B. – NOEL POPULAR BRASILEIRO

Quem é você que não sabe o que diz, que palpite infeliz, quem é você, diga logo que eu quero saber, hoje os dois mascarados procuram os seus namorados perguntando assim: quem? Pra que? Pra que mentir? Fingir que perdoou? Tentar ficar amigos sem rancor? Pra que mentir, se não há necessidade de me trair, pra que mentir se tu ainda não tens a malícia de toda mulher? Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Não me olhe como se a polícia andasse atrás de mim, cale a boca e não cale na boca, diga, diga sempre que eu não presto, que o meu lar é o botequim, que eu arruinei a sua vida, não mereço a comida para quem precisa, comida para quem precisa da comida que você pagou pra mim. Nosso amor, nosso amor que eu não esqueço... esquece o nosso amor, vê se esquece porque eu não esqueço, morre hoje sem foguete, sem retrato, sem bilhete, sem retrato em branco e preto a maltratar meu coração, ah, meu coração, o samba nasce do coração, quem acha vive se perdendo, batuque é um privilégio, batuque na cozinha sinhá não quer, ninguém aprende samba no colégio, desde que o samba é samba é assim, a lágrima clara sobre a pele escura, a noite, a chuva que cai, o orvalho que vem caindo, vai molhar o meu chapéu... A minha terra dá banana, yes, nós temos banana, banana pra dar e vender. E quem dá mais? Quem dá mais?Por um samba feito nas regras da arte, sem introdução nem segunda parte. Só tem estribilho, nasceu no Salgueiro, salve Estácio, Salgueiro e Mangueira, que sempre souberam muito bem que eu nasci no Estácio e se alguém quer matar-me de amor que me mate no Estácio porque eu não posso mudar minha massa de sangue, palmeira do Mangue não vive na areia de Copacabana, princesinha do mar, pelas manhãs tu és a vida a cantar, e à tardinha o sol poente, o sol da Vila, o sol da Vila é triste, samba não assiste porque? Porque o samba na realidade não vem do morro, o morro? O morro não tem vez. E o que ele fez? O que eu faço? Faço samba e amor até mais tarde e tenho muito sono de manhã, escuto a correria da cidade, escuto o apito da fábrica de tecidos e me lembro de você, você que atende ao apito de uma chaminé de barro, que no inverno sem meias vai pro trabalho, e vem ferir os meus ouvidos, vem, vem, vem sentir o calor dos lábios meus à procura dos teus, vem matar essa paixão, que me devora o coração, ah, coração! Coração que não se cansa de sempre sempre te amar, e vivo tonto com o teu olhar, e as pastorinhas, pra consolo da lua, da lua de São Jorge, lua brasileira, lua do meu coração, lua que o samba faz nascer mais cedo, lá em Vila Isabel, um feitiço sem farofa, sem vela, só com uma fita amarela, gravada com o nome dela, não quero flores, nem coroa com espinho. Hoje pra você eu sou espinho, tire o seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor, eu vou pra luta pois eu quero me aprumar. E eu pergunto com que roupa, e eu pergunto pra que mentir, e eu pergunto quem dá mais, e eu pergunto quem é você? Quem é você que não sabe o que diz...
Fugirão, dous pretos, sendo um de nome Eliziário, nação congo, que foi escravo do finado Elias Antônio Lopes; levou vestido calça azul e camisa de morim fino, e com os signaes de ter sido castigado na casa de correção.

BARATA VOA - vale tudo, menos porrada –

O PAI DOS BURROS
GUIA IMPRATICÁVEL DA LÍNGUA PORTUGUESA
CAPÍTULO 7

Você sabia... Que o ser humano que vive até os 75 anos pronuncia, em média, 558 trilhões de palavras?
Que o grupo humano que atinge o mais alto índice de vocábulos são os políticos baianos?
Que a professora aposentada Bósnia Herzegovina – a Tia Herzê – já alcançou a descabida marca de 839 trilhões de palavras, embora ninguém até agora, tenha entendido nada do que ela falou?
Você sabia, ó parvo!?!

M
MACABRA - Cabra de estimação do Boris Karloff.
MAJORAÇÃO - Ato de promover o major.
MAMELUCO - Bebê que, de tanto mamar, ficou maluco.
MANCOMUNAR - Convencer o manco a entrar pro PC do B.
MARRECO - Designação comum às aves que servem o exército.
MATRIZ - Atriz de desempenho sofrível.
MEDITADOR - Governante pensativo e autoritário.
MEGATON - Gato usado como cobaia em experiências nucleares.
METEÓRICO - Teórico brilhante, porém efêmero.
METÓDICO - Indivíduo que toma Toddy todos os dias à mesma hora.
MICROECONOMIA - Ramo da ciência econômica que estuda o salário mínimo.
MONARQUIA - Estado governado pela Monark.
MORIBUNDA - Região glútea agonizante.
MUDA - Pequena planta que não fala.

N
NAPOLEÃO - Político francês, mentalmente desequilibrado, que julgava ser ele mesmo.
NARCISO - Personagem da mitologia grega apaixonado por seu próprio dente de siso. Como vingança, os deuses o transformaram numa cárie.
NARCOTIZAR - Fazer vaquinha para comprar fumo.
NASAL - Relativo ou pertencente à Nasa.
NEBULOSA - Bula de remédio mal impressa.
NEUROVEGETATIVO - Produto hortifrutigranjeiro neurótico.
NEGATIVA – Afrodescendente que manda ver.
NINHARIA - Casa de passarinho financiada pela Caixa Econômica Federal.
NON TROPPO - Expressão idiomática italiana, cunhada durante a Segunda Guerra Mundial e utilizada pelas ragazzas para indicar que não topavam um programa com a tropa. A tradução mais fiel e atualizada é: “Hoje não, bem , tô com dor de cabeça”.
NUANCE - Ato de ficar nu sutilmente.

O
OBSECADO – Indivíduo sequinho e teimoso.
OBJEÇÃO - Injeção que, ao ser aplicada, mata o paciente.
OBSCENO - Função matemática pornográfica.
OBSERVANTE - Crítico literário estudioso da obra de Cervantes.
ODETE - Pequena ode.
OFUSCAR - Ato de esconder o fusca.
OMISSÃO - Locução interjeitiva que exprime desagrado nos cultos católicos de longa duração.
OSTRACISMO - Ato de banir as ostras do cardápio.
OURIÇO - Mamífero espinhento, chegado a embalos.

E não percam na próxima edição: o Pai dos Burros manda você a P Q R (pra quem não conhece, fica logo depois da P Q P)

SAMBLUES 2

A PARCERIA MA-NOEL

Na esquina de Vila Isabel com o Cerrado tem uma padaria que só abre à noite e serve sonhos pra quem dormir no balcão. Foi o que fizeram por lá Noel Rosa e Manoel de Barros. Dormiram, comeram sonhos e sonharam a seguinte conversa:

- Batuque é um privilégio / ninguém aprende samba no colégio
- Contenho vocação pra não saber línguas cultas.
Sou capaz de entender as abelhas do que alemão।

- Eu queria usar palavras de ave para escrever.
- Quem acha vive se perdendo

- O mundo é o samba em que eu danço / sem nunca sair do meu trilho / vou cantando o teu nome sem descanso / pois do meu samba tu és o estribilho
- O que não sei fazer desmancho em frases.
Eu fiz o nada aparecer.


- Eu sou o medo da lucidez.
Choveu na palavra onde eu estava.
- Quem dá mais? / por um violão que toca em falsete / que só não tem braço, fundo e cavalete / pertenceu a Dom Pedro, morou no palácio / foi posto no prego por José Bonifácio

- São Paulo dá café / Minas dá leite / e a Vila Isabel dá samba
- Depois de ter entrado para rã, para árvore, para pedra,
- meu avô começou a dar germínios।

- O poema é antes de tudo um inutensílio.
- Tudo aquilo que o malandro pronuncia / com voz macia / é brasileiro / já passou de português

- O sol da Vila é triste / samba não assiste / porque a gente implora / sol pelo amor de Deus/ não vem agora / que as morenas vão logo embora
- Com cem anos de escória uma lata aprende a rezar.
Com cem anos de escombros um sapo vira árvore e cresce
por cima das pedras até dar leite.

- As palavras eram livres de gramáticas e
podiam ficar em qualquer posição.
- Você no inverno / sem meias vai pro trabalho / não faz fé com agasalho / nem no frio você crê / mas você é mesmo /artigo que não se imita / quando a fábrica apita / faz reclame de você

- Já fui convidada para ser estrela do nosso cinema / ser estrela é bem fácil / sair do Estácio é que é / o X do problema
- O ocaso me ampliou para formiga.
Aqui no ermo estrela bota ovo.
Melhoro com meu olho o formato de um peixe.

- Tudo que explique
a lagartixa da esteira
e a laminação de sabiás
é muito importante para a poesia.

- Fazer poemas lá na Vila é um brinquedo / ao som do samba dança até o arvoredo

- Nasci no Estácio / não posso mudar minha massa de sangue / você pode crer / palmeira do Mangue / não vive na areia de Copacabana
- Para encontrar o azul eu uso pássaros.
Só não desejo cair em sensatez.


- Repetir repetir – até ficar diferente.
Repetir é um dom do estilo.
- e o povo já pergunta com maldade: / onde está a honestidade? / onde está a honestidade?

- Não tenho herdeiros / não possuo um só vintém / eu vivi devendo a todos / mas não paguei a ninguém
- Na travessia o carro afundou e os bois morreram afogados.
Eu não morri porque o rio era inventado.
Fugio, no dia 21, da Ladeira do Senado, esquina da Rua Paula Mattos, um moleque de nome Raymundo; levou vestido carapuça de lã, calça e camisa de algodão, camisa de baeta azul; no falar gagueja, e muito principalmente tendo medo; levou um caixote com banha e pomada para vender. Protesta-se com todo o rigor da lei contra quem o tiver acoutado.

PATAVINinha’s - o playground do patavina’s

O GAMBÁ VIAJANTE

Compadre gambá
resolveu passear
num caronavião
partiu pra Paris.
Na hora do vôo
a aeromoça falou:
- Apertem os cintos
e tapem o nariz.

Chegando lá
compadre gambá
comprou um chapéu
e todo elegante
tirou uma foto
na porta do hotel.

Também comprou
incenso chinês
e trezentos litros
de perfume francês.
Percorreu os museus
passeou pelas noites
com a lua no céu.
E escalou a letra A
da torre Eiffel.
Sentou num barzinho
na borda do rio Sena
pra tomar um vinho.
Estava todo maneiro
mas, que pena!
acabou seu dinheiro.

Compadre gambá
parou, pensou
e não se apertou.
Num caronavio
voltou pra sua casa
na beira do rio.

Foi boa a viagem.
Trouxe de presente
pra gambaxirra
dois quilos de vagem
e uma mochila.
Pro gambarrato
ele deu um queijo
e pra você
que está lendo
mandou este beijo.
Fugiu, da cidade nova, da Rua do Bom Jardim n. 65 A, no dia 28 de julho, um preto de nome Domingos, da nação angola, coxo de uma perna, com o rosto malhado de branco, com bastantes marcas de castigo em um dos braços.