sexta-feira, 29 de outubro de 2010

CAIU NA REDE É PIXEL






tantas e tão plurais as nossas fés
o improvável o etéreo o impalpável e sua tradução
no pescoço no vidro do carro no pulso
estampada no corpo tatuada na roupa pendurada num retrovisor
num pequeno altar no canto da casa numa prateleira de um botequim
no gesto de dar uma pro santo
andar com fé eu vou?

CHIPS – o prazer da batata & o poder do circuito –


Maninho Cesar,
Aí vai mais um haiconto de minha larva. Publique-se! (Ou limpe-se com o papel, o que você achar mais sensato e oportuno.)

Beijos nos córneos
Alice

O SENTIDO DA VIDA

1. Ele sabe que precisa se levantar. Mas sente muito, muito sono.
2. Ele vai se levantar, mas só em pensar que terá que enfrentar tudo de novo...
3. Ele pensa: pra quê? Pra quê? E continua deitado.
4. Ele quer que o cérebro lhe mande um comando: levantar! Mas o cérebro lhe manda uma frase estranha: “a vida não vale a pena e a dor de ser vivida”.
5. “Quem terá dito esse troço?”, ele pensa.
6. Em seguida ele sacode a cabeça, espantando o torpor e dizendo pra si mesmo: não adianta ficar com essa conversa mole. Tenho que levantar a-go-ra! Vamos lá.
7. Mas o resto do seu corpo grita: “ah, só mais um pouquinho!”
8. Em vez de reagir, ele ri. Ri muito.
9. Enquanto tenta conter o riso, ele pensa: “mas o que será que está acontecendo comigo dessa vez?”
10. Por fim ele diz: “ah, foda-se. Eu queria mesmo era ser sambista”, e afunda de vez a cabeça entre as luvas, enquanto o juiz ergue o braço do outro lutador e o estádio delira e urra.

“NÚNCARAS” – po+es+ia


ADRIANO ESPÍNOLA

A poesia solar do cearense Adriano Espínola se constrói com musicalidade e concisão,
fugindo do derramamento verbal. Em uma das vertentes criativas de seus versos,
o poeta dialoga com a história da literatura, revelando suas leituras e conversas
e mostrando como foi construindo seus caminhos.
Adriano publicou os livros Táxi/Metrô (1996), Beira-Sol (97), Fala, Favela (98),
O Lote Clandestino (2002) e praia provisória (2006,
Prêmio 2007 de poesia da Academia Brasileira de Letras).


CAIS

Ó nau, de novo, ao largo mar te levam / as ondas!
Horácio

à beira
do
velho
cais

ondas
novas
levam
ao
vento

o teu
barco
e este
mo
mento

para
o mar
do nunc
a
mais


O PREGO

o que mais dói
não é o retrato
na parede

mas o prego
ali cravado
persistente

no centro da
mancha
do quadro au-
sente


A CEBOLA

Cortá-la camada
por camada
até chegar

ao centro.

(Ao bulbo do nada
do eu
mais dentro.)

Não chorar.


SOUSÂNDRADE

yea!
na
lín
gua

por
tu
guesa
a

por
tou
er

rante
um
guesa


Língua-mar

A língua em que navego, marinheiro,
na proa das vogais e consoantes,
é a que me chega em ondas incessantes
à praia deste poema aventureiro.
É a língua portuguesa, a que primeiro
transpôs o abismo e as dores velejantes,
no mistério das águas mais distantes,
e que agora me banha por inteiro.
Língua de sol, espuma e maresia,
que a nau dos sonhadores-navegantes
atravessa a caminho dos instantes,
cruzando o Bojador de cada dia.
Ó língua-mar, viajando em todos nós.
No teu sal, singra errante a minha voz.

MERCADO FINANCEIRO - o melhor investimento para o seu dinheiro


Nesta semana o Mercado foi dormir nervoso e em vários dias acordou todo urinado. Parece que terá que usar fraldão geriátrico mesmo. Segundo os Índices Dow Jones e Bovespa os melhores papéis para investimentos no momento são AUGUSTO MONTERROSO ao portador e JORGE LUIS BORGES preferencial. Vejam alguns exemplos:


O VÉU DE PENÉLOPE, OU
QUEM ENGANA A QUEM

Faz muitos anos vivia na Grécia um homem chamado Ulisses (que apesar de ser bastante sábio era muito astuto), casado com Penélope, mulher bela e singularmente dotada cujo único defeito era sua exagerada mania de tecer, costume graças ao qual conseguia ficar sozinha longas temporadas.

Diz a lenda que em cada ocasião em que Ulisses com sua astúcia observava que apesar de suas proibições ela se dispunha a começar de novo um dos seus intermináveis tecidos, podia-se vê-lo às noites preparando às escondidas as suas botas e uma boa barca, até que sem dizer nada ia percorrer o mundo e em busca de si mesmo.

Dessa maneira ela conseguia mantê-lo afastado enquanto flertava com os seus pretendentes, fazendo-os acreditar que tecia enquanto Ulisses viajava e não que Ulisses viajava enquanto ela tecia, como pode ter acreditado Homero, que, como se sabe, às vezes dormia e não se apercebia de nada.

Fábula de Augusto Monterroso, em A Ovelha Negra e Outras Fábulas, da Editora Record, e que se encontra esgotado. Mas eu acabei de comprar um exemplar pesquisando nos sebos da internet. (Ei, dona Record, quando é que a senhora vai reeditar esse livro do Monterroso e aproveitar para lançar mais uns livros dele, hein? Hein? HEIN?)


O labirinto

Esse é o labirinto de Creta. Esse é o labirinto de Creta cujo centro foi o Minotauro. Esse é o labirinto de Creta cujo centro foi o Minotauro que Dante imaginou como um touro com cabeça de homem e em cuja trama de pedra se perderam tantas gerações. Esse é o labirinto de Creta cujo centro foi o Minotauro que Dante imaginou como um touro com cabeça de homem e em cuja trama de pedra se perderam tantas gerações assim como María Kodama e eu nos perdemos. Esse é o labirinto de Creta cujo centro foi o Minotauro que Dante imaginou como um touro com cabeça de homem e em cuja trama de pedra se perderam tantas gerações assim como María Kodama e eu nos perdemos naquela manhã e continuamos perdidos no tempo, esse outro labirinto.

Texto de Jorge Luis Borges, em Atlas, seu novo livro, em parceria com María Kodama, recém-lançado pela Companhia das Letras e composto de textos e fotos, ou, como melhor explica Borges, “cada título abarca uma unidade feita de imagens e de palavras”. Corra até a livraria mais próxima de sua casa e compre logo! Anda! Depois você volta e continua a ler o PATAVINA’S.

SALTA UMA CAROS AMIGOS NA MESA 5!


Já está nas melhores bancas do ramo a nova edição da revista Caros Amigos. Além deste cronista que vos fala (e cuja a crônica vós podeis ler abaixo), a revista traz: entrevista com o jurista Fábio Konder Comparato, a perseguição ao Funk, a luta política na Venezuela, a destruição contínua do Iraque pelos EUA, as mulheres no Irã, as favelas incendiadas em Sampa e muito mais, sem falar no timaço de colunistas que todo mês dá um show de bola por lá. Vai já na banca comprar. Anda, seu preguiçoso! Depois você lê a minha crônica aí embaixo. Vai!

LEIA ESTA CRÔNICA E VENÇA NA VIDA!

Acabaram-se as eleições, estamos livres dos mentirosos do horário eleitoral e podemos voltar a mentir por conta própria e a qualquer hora. Eu já comecei lá no título da crônica. Você não vai vencer na vida lendo isso aqui nem fazendo coisa alguma. A vida termina sempre com uma derrota chamada morte. E ponto.

Só que essa afirmação também pode ser mentira. A mentira é só uma verdade que esqueceu de acontecer, mas ela vem sendo perseguida através dos tempos. Mentir é feio, é pecado, é anti-ético, é contra-revolucionário. Cada um tem seus motivos pra condenar a mentira e no entanto não fazemos outra coisa a não ser mentir. Acordar e dar bom dia a essa altura da humanidade é mais do que otimismo: é cascata pura. O planeta não tem recursos pra sustentar nosso consumo e a temperatura vai subir até derreter todos nós: bom dia por quê? Além disso, você está indo pra praia, pra um barzinho tomar caipirinhas, pra um cineminha e vai fechar o dia no motel? Ou vai deixar as crianças atrasadas na escola, se meter no metrô lotado e ir pro trabalho, aturar seu chefe? Bom dia? Você só pode estar de sacanagem!

Mas não se desespere: eu minto, tu mentes, ele mente. Eis a verdade nua e crua. Contar lorotas, potocas, patranhas, imposturas, enganos, fraudes ou falsidades já virou até profissão. Está aí a publicidade que não nos deixa mentir, porque mente primeiro e com muita verba. E nem Deus escapa: se Caim mentiu quando Ele perguntou onde estava o Abel, Deus mentiu primeiro, quando fingiu que não sabia. Ele não é onisciente e onipresente?

Então, vamos descriminalizar a mentira já! Afinal, diga a verdade: tem coisa melhor do que mentir?

OUTDOR - po+es+ia +v+is+ual



SUS
TENTA
A
SORTE
ENTRE
A
CORTE
E O
COR
TE

PORQUE ESCREVO

“Se fosse sólido eu comia. Se fosse líquido eu bebia. Escrevo porque é gasoso.”
Alice Barreira

Num conto delicioso de seu livro DINORÁ (Ed. Record) Dalton Trevisan se auto-esculhamba, usando os clichês com que a turma crítica a ele sempre o ataca. Ou então, quanto mais se auto-esculhamba mais se elogia e avacalha a moçada do contra. Decida você mesma!

QUEM TEM MEDO DE VAMPIRO?

Há que de anos escreve ele o mesmo conto? Com pequenas variações, sempre o único João e a sua bendita Maria. Peru bêbado que, no círculo de giz, repete sem arte nem graça os passinhos iguais. Falta-lhe imaginação até para mudar o nome dos personagens. Aqui o eterno João: “Conhece que está morta.” Ali a famosa Maria: “Você me paga, bandido.”

Quem leu um conto já viu todos. Se leu o primeiro pode antecipar o último – bem antes que o autor. É a sagrada família de barata leprosa com caspa na sobrancelha, rato piolhento na gravata de bolinha, corruíra nanica do dentinho de ouro. Trincando broinha de fubá mimoso e bebendo licor de ovo?

Mais de oitenta palavras não tem o seu pobre vocabulário. O ritmo da frase, tão monótona quanto o único tema, não é binário nem ternário, simplesmente primário. Reduzida ao sujeito sem objeto, carece até de predicado – todos os predicados.

Presume de erótico e repete situações da mais grosseira pornografia. No eterno sofá vermelho (de sangue?) a última virgem louca aos loucos beijos com o maior tarado de Curitiba. Explica-se: não foi ele fabricante de tradicionais vasos de barro? E seus contos, o que são? Miniaturas de bispote em série, com florinha e filete dourado.

Um mérito não se lhe pode negar: o da promoção delirante. Faz de tímido, não quer o rosto no jornal – e sempre o jornal a publicá-lo. Nunca deu entrevista e quanta já foi divulgada, com foto e tudo? Negar o retrato é uma secreta forma de vaidade, a outra face do cabotino.

Pretende, forte modéstia, ser o último dos contistas menores – e não é que tem razão? Aliás, nem contista. Nas frases mutiladas e estripadas, um simples cronista de fatos policiais. Nele não há outra postura ética e moral. Nem simpatia e amor pelo semelhante. Só e sempre os tipos superficiais de dramalhão, fantoches vazios, replicantes sem alma. Vítimas e carrascos no circo de crueldade, cinismo, obsessão do sexo, violência, sangue – e onde o único toque de humor? Iconoclasta ou alienado, abomina o social e o político. Daí as criaturas desumanas, os velhinhos pedófilos, museu de monstros morais, como reconhecer num deles o teu duplo e irmão?

Mestre, sim, no plágio descarado: imita sem talento o grafito do muro, a bula do remédio, o anúncio da sortista, a confissão do assassino, o bilhete do suicida. Sinistro espião de ouvido na porta e olho na fechadura. Não é o pasticho a falsa moeda desse mercador sovina de gerúndios?

Exibicionista, quer o nome sempre em evidência. Já ninguém fala ou escreve sobre seus livros – e você os suporta, um por ano, todo ano? Na fúria do ressentido, busca atingir as nossas glórias sacrossantas: Emiliano, a poesia, Turin, a escultura, Mossurunga, a música. Tudo em vão: a grotesca imagem do vampiro já desvanecida aos raios fúlgidos da História.

Pérfido amigo, usará no próximo conto a minha, a tua confidência no santuário do bar. Cafetão de escravas brancas da louca fantasia, explora a confiança de velhas, viúvas e órfãs. Ó maldito galã de bigodinho e canino de ouro, por que não desafia os poderosos do dia: o banqueiro, o bispo, o senador, o general?

“A LÍNGUA PORTUGUESA É MINHA PÁTRIA”


Uma conversa entre a Dona Etimologia, a boneca Emília e as crianças Pedrinho e Narizinho, no País da Gramática. Dá-lhe, Monteiro Lobato, bota esses gramáticos idiotas pra correr!


- E assim, se foi formando, e se vai formando a língua. Uma língua não para nunca. Evolui sempre, isto é, muda sempre. Há certos gramáticos que querem fazer a língua parar num certo ponto, e acham que é erro dizermos de modo diferente do que diziam os clássicos.

- Que vem a ser os clássicos? – perguntou a menina.

- Os entendidos chamam clássicos aos escritores antigos, como o Padre Antonio Vieira, Frei Luis de Sousa, o Padre Manuel Bernardes e outros. Para os carrancas, quem não escreve como eles está errado.
Mas isso é curteza de vistas. Esses homens foram bons escritores no seu tempo. Se aparecessem agora seriam os primeiros a mudar ou a adotar a língua de hoje, para serem entendidos. A língua variou muito e sobretudo aqui na cidade nova. Inúmeras palavras que na cidade velha querem dizer uma coisa, aqui dizem outra. BORRACHO, por exemplo, aqui quer dizer bêbedo; lá quer dizer filhote de pombo – vejam que diferença! ARREAR, aqui, é selar um animal; lá é enfeitar, adornar.

- Então lá há moças bem arreadas? – perguntou Emília.

- Sim – respondeu a velha. Uma dama bem arreada não espanta a ninguém lá do outro lado. Aqui, moço significa jovem; lá significa serviçal, criado.
Também no modo de pronunciar as palavras existem muitas variações. Aqui todos dizem PEITO; lá, todos dizem PAITO, embora escrevam a palavra da mesma maneira. Aqui se diz TENHO e lá se diz TANHO. Aqui se diz VERÃO e lá se diz V’RÃO.

- Também eles dizem por lá VATATA, VACALHAU, BACA, VESOURO – lembrou Pedrinho.

- Sim, o povo de lá troca muito o V pelo B e vice-versa.

- Nesse caso, aqui nesta cidade se fala mais direito do que na cidade velha – concluiu Narizinho.

- Por quê? Ambas têm o direito de falar como quiserem, e portanto ambas estão certas. O que sucede é que uma língua, sempre que muda de terra, começa a variar muito mais depressa do que se não tivesse mudado. Os costumes são outros, a natureza é outra – as necessidades de expressão tornam-se outras. Tudo junto força a língua que emigra a adaptar-se à sua nova pátria.
A língua desta cidade está ficando um dialeto da língua velha. Com o correr dos séculos é bem capaz de ficar tão diferente da língua velha como esta ficou diferente do latim. Vocês vão ver.

- Nós vamos ver? – exclamou Narizinho, dando uma risada. Então pensa que somos como a senhora, que vive toda a vida e mais séculos e séculos?

- Vocês também viverão séculos e séculos por meio de seus futuros filhinhos e netos e bisnetos – replicou a velha.

- Menos eu! – gritou Emília. Já me casei e me arrependi bastante. Felizmente não tive filhos – e como não pretendo casar-me de novo, não deixarei “descendência” nesse mundo...

- E se aparecer um grande pirata, como aquele Capitão Gancho, da história do Peter Pan? – cochichou Narizinho no ouvido dela.

- Isso é outro caso... – respondeu Emília, cujo sonho sempre fora ser esposa de um grande pirata – para “mandar num navio...”

Monteiro Lobato, Emília no País da Gramática, Editora Brasiliense, pgs 100, 101 e 102.

- LHUFAS - coisa com coisa nenhuma –


Henrique de Paula me manda esse texto e estreia na literatura. De pegada pop, Henrique liga seu liquidificador de textos e sai cantando um poutpourri muito louco de churrasquinhos de mães, milk-shakes de macalés, hinos e happy birthday to you. Manda ver, Henrique!


MAMA GOTHAM
sim, eu estou tão cansado mas não pra dizer que eu te lembro chinelo na mão, com nove anos, perdi minha mãe querida, o maior golpe do mundo, eu não acredito mais, parabéns pra você nessa data, querida, a data em que eu nasci em Gotham City, que eu tive na minha vida, eu estou indo embora, querida, talvez eu volte, um dia eu volto, dar o adeus da despedida, vinha vindo da escola quando de longe avistei, os mortos vivos, brava gente brasileira, no rancho que nós morava, com um abismo na porta principal, o temor servil e um céu alaranjado, minhas calças vermelhas, meu casaco de general, o avental todo sujo de ovo, cheio de anéis da mãezinha que eu amei, muitos anos de vida, muitos anos, se eu pudesse, eu queria outra vez, mamãe, queimada no fogo, a dona de tudo, a rainha do lar, triste e dolorida, parabéns pra essa data, querida, já raiou a liberdade no horizonte, vamos, vamos começar tudo, tudo de novo, o avental todo sujo, quem sabe, eu preciso esquecê-la, o chinelo na mão e as bruxas no telhado, cuidado, há uma mãe gentil no telhado, cuidado, há um morcego no horizonte do Brasil, tão cansado, tão cansado

THAT’S ALL, FOLKS!

Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplastro, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais: não padeci a morte da Dona Plácida, nem a semidemência do Quicas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e conseguintemente que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: - Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.

Palavras finais do autor-defunto ou defunto-autor Brás Cubas, em suas Memórias Póstumas.